McGuiver colombiano, transplante de rim e seqüências matemáticas


Compartilhando algumas leituras.

Acemoglu e Robinson (doravante A&R neste blogue) sobre o McGuiver colombiano, na cidade de La Danta.

Alvin Roth novamente aplicando a economia em problemas reais (transplante de rim).

Landsburg e o supra-sumo da procrastinação acadêmica produtiva (quer dizer, ainda não sei se bate de frente com Ai se eu te pego em grego clássico).

Posto de gasolina não pode… mas firma de advocacia pode.


Vez ou outra vemos revolta popular ou governamental contra um suposto cartel feito pelos postos de gasolina.

Mas o que eu gostaria mesmo de ver é uma revolta contra isso aqui. A OAB do DF fixa preço mínimo para honorários. Impressiona o artigo quarto:

Art. 4o É lícito ao advogado contratar valor superior ao previsto na Tabela. Cumpre, entretanto, obrigatoriamente, ao advogado, em atendimento ao dever de zelar pela dignidade da profissão, observar os limites mínimos aqui fixados, não contratando honorários a eles inferiores (concorrência desleal), sob pena das sanções legais.

Busquei na internet e vi que o Taufick comentou o caso. E que já existe processo correndo no CADE.

Teoria dos jogos na prática


Há algum tempo tinha lido esta matéria bem legal da “The Economist” e sempre me esquecia de compartilhar, agora vai. Ela menciona várias aplicações de teoria dos jogos. Um dos autores mencionados é o Bueno de Mesquita, que já apresentou uma palestra no TED. Ainda não tive tempo de ler os livros, tampouco os artigos do autor, mas já ouvi boas referências sobre a “Selectorate Theory” e críticas bastante incisivas ao “The Predictioneer’s game“. O pé atrás com relação ao Bueno de Mesquita surge no próprio vídeo do TED: 90% de acurácia é simplesmente bom demais para ser verdade. Mas ele não deixa de ser polêmico e incitar a curiosidade sobre os trabalhos que presta em sua consultoria privada. Se tem gente pagando por suas previsões, não é provável que todos sejam otários e que elas não sejam de alguma valia (mas, lógico, improvável não quer dizer impossível).

Também gostaria de compartilhar o site e o blog do Alvin Roth. O autor faz um uso bem interessante da teoria dos jogos para o programa de matching dos residentes de medicina nos EUA (no Brasil, lembro do artigo da Marilda Sotomayor sobre matching na pós-graduação em economia). Ele também trabalha com matching para doações de órgãos quando o mercado, por algum motivo, não é permitido, entre outras aplicações. Aproveito igualmente para compartilhar um link de uma matéria, um pouco antiga, mas bacana que havia lido sobre o Alvin Roth no Boston Globe. Para quem buscava exemplos de aplicações para teoria dos jogos, os links acima têm material para muitos dias de diversão.

Ai se eu te pego em grego clássico – por Rodrigo Peñaloza


Se produz mais do que economia nos arredores do departamento de economia da UnB.

ἆ, ἢν δὲ σε ἁρπάζω
Michel Teló – traduzida para o grego clássico por Rodrigo Andrés de Souza Peñaloza
οἴμοι, οἴμοι
οὕτω γὰρ με κτείνεις
ἢν δὲ σε ἁρπάζω, ἆ, ἢν δὲ σε ἁρπάζω

ἡδεῖα, ἡδεῖα
οὕτω δὲ με κτείνεις
ἢν δὲ σε ἁρπάζω, ἆ, ἢν δὲ σε ἁρπάζω

ἐν νυκτὶ ἐν τηῖ ὄρχησει
οἱ φὶλοι ὠρχήσαντο
τὴν κὰλιστην πὰρθενον εἶδον
ἐκινδύνευσα καὶ διαλεξάμεθα.

Lá também se encontram Fagner e Chico Buarque em latim.

Qual é o problema com modelos? Nenhum, o problema é com quem os interpreta…


… como realidade e não como metáforas.

Como diz Edward Leamer: “It is difficult to train a computer to understand a metaphor, and it is likewise difficult to train our students to understand the metaphors of economics, our models. Our students do what anyone unfamiliar with a language does: they take the models literally.” Mas não deviam.

Então, se algum economista te mostrar um modelo de concorrência perfeita, não é para você pensar que os economistas acreditam, nem tampouco para você acreditar que os preços são dados, que para existir concorrência teria de haver milhares de empresas sem poder de mercado, que não existe atividade empresarial fundamentada no erro e na descoberta… interpretar um modelo de concorrência perfeita dessa forma, usando uma analogia de Leamer, é a mesma coisa de olhar um mapa em que a avenida é desenhada na cor vermelha e achar que a avenida é de fato vermelha. Corolário disto: não é para você pegar um modelo e aplicá-lo a toda e qualquer situação – o trabalho do economista é justamente identificar o momento apropriado de utilizá-lo.