A economia dos mundos virtuais


Inflação, deflação, ciclos econômicos e corridas bancárias também existem nos mundos virtuais, que podem servir como grande fonte de dados para análises econômicas. Para mais, leia esta interessante matéria do Washington Post.

Via Mankiw e Marginal Revolution.

O “lucro” Brasil I


Um dia alguém inventou uma “explicação” para os preços altos dos carros brasileiros, falou que era culpa do “lucro” Brasil. E isso pegou. Entre leigos não me espanta a aceitação desta justificativa, mas sua divulgação por economistas me incomoda.

Preços são como um termômetro e refletem fatores reais da economia que, grosso modo, podemos chamar de fatores de ‘escassez relativa’ – isto é, aqueles resultantes do cotejamento entre oferta e demanda. O lucro é um preço e, como tal, é consequência de algum fator real da economia.

Deste modo, falar que o carro no Brasil é caro porque o lucro no Brasil é alto não explica a razão de o carro ser caro. É a mesma coisa de se dizer que uma pessoa está com febre e a causa da febre é o termômetro que acusa temperatura acima de 40ºC (na verdade nem isso seria, pois margem de lucro alta não implica em preço alto).Um custo alto e/ou uma margem de lucro alta são consequências de algum outro fator real da economia, e não causa. É (são) esse(s) fator(es) que deve(m) ser explicado(s).

E entre os fatores, são medidas exatamente como esta que explicam o fato de pagarmos por um dos carros mais caros do mundo.

Material On-line


Recentemente me pediram algumas recomendações de material das disciplinas core de economia, materiais que estivessem disponíveis on-line e gratuitamente.

Achei que seria legal disponibilizar a lista aqui.

Segue uma primeira leva, que lembrei de cabeça, com o passar do tempo vou atualizando (quem quiser, por favor, deixe sua dica):

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Atualização.

Para notas de aula em inglês, o Gustavo deixou a dica do http://econphd.econwiki.com/notes.htm

Acredito que isso supra quase tudo.

Quem souber de mais material em português, deixe sua dica!

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Macroeconomia:

- Notas do Fernando de Holanda Barbosa (pós-graduação);

Microeconomia:

Lecture Notes do Nolan Miller (pós-graduação);

- Notas de aula do José Guilherme Lara Resende (graduação);

- Curso Básico de Microeconomia do José Carrera-Fernandez (graduação);

Econometria e Estatística:

- Econometrics do Hansen (pós-graduação);

Análise Matemática:

- Curso de Análise Real do Neri e Cabral (pós-graduação);

- Introdução à Análise Real do Alexandre Madureira (pós-graduação);

“Novos” na lista de blogs


Vez ou outra eu me dou conta de que a lista de blogs ao lado está desatualizada. Menos freqüentemente ainda eu me lembro de atualizá-lá. Hoje foi um desses dias. Na lista constam mais quatro blogs que já acompanhava há algum tempo, mas que sempre me esquecia de adicioná-los:

- The Drunkeynesian;

- Normal Deviate;

- Blog do Irineu de Carvalho Filho;

- The Big Questions.

Sexo e repressão?


A&R lançam uma pergunta interessante: a Alemanha nazista, a China de Mao, a União Soviética de Stalin e a Coreia do Norte regulam e reprimem o sexo. Será que não é possível permitir liberdade sexual e ao mesmo tempo reprimir as demais liberdades civis e políticas?

Aumentar a taxa de juros pode depreciar o Real?


Segundo Carlos Eduardo Gonçalves e Bernardo Guimarães, sim e isso pode (poderia) estar ocorrendo no Brasil.

Os autores trazem à tona a literatura que mostra como a paridade descoberta da taxa de juros (UIP) pode ficar invertida. A razão para tanto seria basicamente que, em algumas situações, o maior risco de default associado ao aumento dos juros superaria o maior retorno nominal.

Gonçalves e Guimarães também tentam buscar evidências dessa relação invertida no Brasil. Estimam que um aumento de 1 ponto percentual (100 pontos bases – note que não é a variação de 1%) na taxa de juros implicaria em uma depreciação de aproximadamente zero a 2% na taxa de câmbio.

Como sabemos, um dos canais da política monetária é seu efeito na taxa de câmbio por meio do pass-through. Em geral, supõe-se que este canal atue no sentido correto, isto é, aumento de juros implicaria em apreciação cambial e arrefecimento da inflação. O resultado dos autores é contra-intuitivo. Uma lição interessante deste exercício é que, em alguns casos, um aparente “sinal errado” que você obtém em uma estimativa pode não estar errado – então pense bem antes de fazer lambanças mudanças na especificação de um modelo até conseguir o sinal “correto”! É melhor estar aproximadamente certo, mesmo que com um resultado estranho, do que exatamente errado mas com os resultados que você queria.

Mas qual a importância deste resultado a não ser por uma curiosidade teórica? Note que, se o canal do câmbio tiver efeito contrário, isso poderia ter sérias implicações na política monetária. Afinal, o efeito do aumento da taxa de juros por este canal estaria atuando em direção contrária à desejada. Mas por que coloquei poderia? Porque a magnitude aqui faz toda a diferença.

Exponho, então, algo de que senti falta (além de uma discussão mais detalhada sobre a validade dos pressupostos da estratégia econométrica) no artigo (obviamente que isso não quer dizer que o artigo esteja ruim): um julgamento quantitativo da estimativa. Quão relevante seria um impacto de aproximadamente zero a 2%? No artigo, por exemplo, não temos as estatísticas descritivas do período (2000 a 2006), é difícil julgar se essa variação é grande ou pequena na amostra, frente à variação de 1 ponto percentual na taxa de juros. Nessa época o câmbio chegou a oscilar entre 1 e tantos a 3 reais. Uma mudança de R$0,02 ou R$0,06 na taxa de câmbio seria economicamente relevante para fins de política monetária?

Apenas a título de ilustração, segundo uma estimativa de Nogueira Junior, em um ambiente de inflação baixa e estável uma depreciação cambial de 10% poderia resultar em aumento de inflação de apenas 0,8%. Neste caso, se as magnitudes forem comparáveis*, o efeito estimado de Gonçalves e Guimarães me pareceria, na prática, zero, negligenciável. Mas será que é? Não sei. Mas note que, se é possível demonstrar, de maneira plausível, que a UIP invertida é uma possibilidade, então, como possibilidade, a teoria bastaria. Já como realidade, a existência por si só não basta. Entender o tamanho de seu efeito parece muito mais importante.

Em resumo, o leitor, apenas com os dados apresentados, não consegue identificar a relevância (ou irrelevância) econômica da inversão da UIP… o que se consegue é conjecturar sobre a possibilidade teórica de sua existência, sem uma noção mais robusta de seu impacto.

* por exemplo, as medidas de câmbio são diferentes. Há outras questões, a idéia é apenas ilustrar o ponto.

PS: o Carlos Eduardo tem um Blog bacana com Fábio Kanczuk e Celso Toledo.