Experimentos na Economia


Bastante interessante a entrevista com John List, em que ele defende um maior uso de experimentos na Economia.

Um dos experimentos que ele menciona é sobre a aversão à perda. Alunos que recebiam 20 dólares no início das aulas e tinham de tirar notas boas para mantê-los, na média, acabavam indo melhor na disciplina do que aqueles alunos a quem eram prometidos 20 dólares ao final do curso caso tirassem boas notas. A interpretação do resultado é a de que as pessoas tem mais medo de “perder” algo que já têm do que “perder” algo que ainda vão ganhar.

Gostaria de ver isso replicado aqui no Brasil, mas com a seguinte questão: será que turmas em que os alunos começam o semestre com a nota 10, e vão perdendo pontos caso falhem nas atividades propostas, irão realmente superar em grande montante o rendimento de alunos que comecem com a nota zero, e vão acumulando pontos caso completem com sucesso os exercícios de aula?

Acredito haver muito espaço para economia experimental no Brasil. Nos últimos 4 anos da RBE (2008-2011), apenas um artigo tratou do tema.

(via Mankiw)

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5 pensamentos sobre “Experimentos na Economia

  1. Acho que esse teste não é muito bom. Acho que vai haver efeito independentemente da loss aversion.

    No sistema atual o professor indentifica acertos. Quando você acerta ele te da nota.

    No sistema proposto o professor indentifica erros. Quando você erra ele te tira nota.

    Mas nas fronteiras entre os acertos e dos erros existe uma zona meio indefinida. Essa zona não é indentificada em nenhum dos sistemas, mas no primeiro ela não da nota, e no segundo ela deixa de tirar. Fazendo com que o segundo sistema de notas mais altas.

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    • Fiquei com a impressão de que no primeiro sistema, a zona indefinida significa erro; no segundo, acerto. Nessa comparação, o segundo sistema, de fato, corresponderá a notas mais altas.

      À identificação do acerto corresponde a não identificação do erro. Suponha uma prova de múltipla escolha. Se o aluno marca a resposta certa, automaticamente ele não marcou a errada. No primeiro sistema ele ganha o ponto; no segundo, deixa de perdê-lo. Caso isso se repita em todas as questões, a nota final do aluno será dez em ambos os sistemas.

      Se o aluno acerta cinco de dez questões, no primeiro sistema, não lhe foram dados os pontos de cinco questões (erro), enquanto no segundo, não lhe foram tirados os pontos de cinco questões (acerto).

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      • De fato, numa prova de múltipla escolha, onde não há uma zona entre o acerto e o erro, e sim uma fronteira clara, o teste funcionaria.

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  2. O método de pontuação do CESPE/UnB explora essa aversão à perda: o medo de perder os pontos das questões que temos certeza do acerto nos desincentiva a arriscar uma questão que nos traz dúvidas.

    Embora seja interessante ver uma análise quantitativa, acredito que sim, porque, na média, a desutilidade da perda é superior à utilidade do ganho. Se você começa o semestre com a nota dez e, em dez atividades de um ponto cada, você falha em uma, sua nota final será nove. Nunca mais você recuperará o ponto que lhe pertencia. Ou seja, nove é menor que dez.

    Caso você comece com zero vá progredindo, mesmo que falhe em um exercício, terminará o ano com a nota nove, que é superior a zero.

    Abraços!

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    • No primeiro sistema, ao final do semestre, a situação do aluno será, no mínimo, tão boa quanto no início (tendência de melhora); no segundo, a situação será, no máximo, tão boa quanto no início (tendência de piora).

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