É hora de comprar ouro?


O texto de Jonas Fraga Jr, recomendando a compra de ouro como um seguro, tem alguns pontos dos quais discordo e tenho discutido isso com alguns economistas. Para consolidar a discussão em um local só, seguem neste post alguns questionamentos. Jonas sugere que: (i) apesar de o preço do ouro flutuar no curto prazo, o metal mantém seu poder de compra no longo prazo; (ii) consequentemente, ele é um hedge para a inflação no longo prazo; e, por fim, (iii) o ouro seria um seguro contra catástrofes financeiras.

Os pontos (i) e (ii), a rigor, não me parecem verdade, pelo menos não para o que muita gente consideraria longo prazo. Como ilustração, basta um contra-exemplo: o período de 20 anos, entre 1980 e 1999, em que o preço do ouro, em dólar, despencou em termos reais (considerando a inflação).

Preço médio do Ouro a dólares constantes de 2009

Ouro 1980 1999

No blog Marginal Revolution, Tyler Cowen traz para discussão o trabalho Erb e Harvey que, dentre outras coisas, aponta justamente esta falta de correlação entre inflação e retorno do ouro em, pelo menos, períodos tão longos quanto 20 anos.

O ponto (iii), por sua vez, pode ser verdade, mas não deixa de ser especulação. Como se sabe, o ouro, historicamente, foi utilizado como moeda-mercadoria; e, como moeda, o ouro tem um menor risco de contra-parte, intrínseco a moedas fiduciárias. Deste modo, por exemplo, em um caso de catástrofe generalizada, seguida de falências de bancos e drástica perda de credibilidade das moedas fiduciárias, poderia ser que o ouro voltasse a exercer esta função em escala global. A demanda por ouro cresceria em magnitudes sem precedentes e, consequentemente, os ganhos da aplicação em ouro poderiam compensar, em alguma medida, as perdas dos outros ativos. Mas crises podem ocorrer de diversas formas. É possível imaginar diversos cenários em que o preço do ouro cairia mesmo em meio a uma crise financeira, como, por exemplo, em uma situação com a estagnação de grandes países emergentes (como a China) ou países em situação de crise fiscal, juntamente com a venda de ouro por parte desses bancos centrais.

Tendo isto em vista, você deve ou não comprar ouro como um seguro de longo prazo? A resposta depende de quais cenários futuros são mais plausíveis. E qual cenário, dentre todos, é mais plausível? Não sei. Mas é preciso estar claro que o ouro não é especial e tampouco é um seguro no sentido usual do termo. Você pode tanto ganhar quanto perder muito dinheiro, mesmo no longo prazo. Veja, não estou dizendo que seja uma má ideia comprar ouro agora, ou que diversificar seu portfólio seja ruim. Apenas enfatizo que, para você saber se deve ou não comprar ouro, seja com o horizonte de curto prazo, como 1 ano, ou mesmo com o horizonte de longo prazo, como 20 anos, você ainda tem de prever a evolução da oferta e da demanda pelo metal, da mesma forma que você faria para qualquer outro ativo.

PS: além do Marginal Revolution, a recente queda do preço do ouro tem tido repercussão em outros blogs como no EconBrowser e no Economist’s View.

Comunidades tribais são mais violentas? O quão próxima é a distribuição normal? O papel do BNDES.


Alguns links aleatórios.

1) Não existe má publicidade 2 (o primeiro foi com relação ao livro do Sandel). Recém publicado livro do Jared Diamond (The World Until Yesterday: What Can We Learn from Traditional Societies?) parece ter provocado a ira (aqui e aqui) de grupos defensores das comunidades tribais. Resultado: comprei a versão para Kindle.

(Via Marginal Revolution)

2) Seguem alguns posts do Larry Wasserman que queria compartilhar há algum tempo, mas havia procrastinado:

- Review do livro de Nassim Taleb, Antifragile, apenas lido pela metade (because only sissy fragilistas finish a book before reviewing it);

- Sobre bootstrapping I e II;

- Sobre teoremas de upper-bound para erros de aproximação pela curva normal (vale conferir uma sugestão que surgiu nos comentários do post, um texto histórico, bacana, sobre robustez do Stigler).

3) Sobre o papel do BNDES. Artigo de Maurício Canêdo Pinheiro, no Estadão, bota em xeque a efetividade da instituição. Como suporte, menciona o working paper do Lazzarini (What Do Development Banks Do? Evidence from Brazil, 2002-2009). Lembro-me de terem comentado bastante sobre esse artigo na última Anpec, e tenho de confessar que as conclusões do paper são bastante alinhadas com minhas crenças e intuições a priori. A despeito disso, com base em uma passada de olho, fiquei na dúvida se os dados apresentados corroboram conclusões fortes. Para não falar mais sem ler com o devido cuidado, isso fica para outro dia.

Tops do blog de 2012 – I


Requentando Relembrando os 10 posts mais acessados do ano:

- Os dez mandamentos da Econometria Aplicada

- PUC-RJ x Reinaldo Azevedo: sobre causalidade e VI.

- Pombos são mais espertos do que humanos?

- Culto da significância estatística I: um exemplo do teste de normalidade

- Câmbio e Inflação I

- A inflação na Argentina

- Teoria dos jogos na prática

- Teoria dos jogos na prática 2

- A evidência prova: você é obeso… mas não é gordo!

- Ai se eu te pego em grego clássico

Hal Varian e Nate Silver: entrevista no Google


Vale à pena conferir a entrevista, abaixo, de Nate Silver com Hal Varian no Google:

Mais sobre Nate Silver neste blog aqui.

Via Simply Statistics.

PS: Em futuros posts, alguns comentários sobre papers da ANPEC/SBE 2012.

A economia dos mundos virtuais


Inflação, deflação, ciclos econômicos e corridas bancárias também existem nos mundos virtuais, que podem servir como grande fonte de dados para análises econômicas. Para mais, leia esta interessante matéria do Washington Post.

Via Mankiw e Marginal Revolution.