Para quem foram os votos da Marina?


A pergunta que queria fazer era: quantos votos da Marina foram para Aécio ou para Dilma? Para responder isso, precisaria de alguns dados que não tenho e não vou ter tempo de buscar (e que talvez nem estejam disponíveis).

Mas, na verdade, vou fazer outras perguntas simples que talvez sejam tão interessantes quanto e, provavelmente, sejam uma aproximação razoável:  (i) Os votos válidos para Marina explicam de maneira diferente a variação dos votos válidos para Aécio ou para Dilma? (ii) Isso variou entre os estados da federação?

Resumindo, as respostas são:

(i) sim, cada 1 ponto percentual de voto para Marina no primeiro turno previu, na média, 0.56 pp a mais para Aécio e 0.44 pp a mais para Dilma; e,

(ii) sim, a relação foi diferente para cada estado. Entre alguns exemplos, temos que em São Paulo, Rio Grande do Sul e Alagoas a relação pareceu mais pró Aécio;  já em Minas Gerais e Bahia os votos em Marina explicaram pouco da variação. E em Pernambuco ou na Paraíba houve uma ligeira “conversão” pró Dilma.

***

A regressão geral.

Dependent variable:
Variação Aécio Variação Dilma
(1) (2)
Votos Marina (1 turno) 0.558*** 0.442***
(0.005) (0.005)
Constant 1.287*** -1.287***
(0.076) (0.076)
Observations 5,152 5,152
R2 0.732 0.631
Adjusted R2 0.732 0.631
Residual Std. Error (df = 5150) 2.987 2.987
F Statistic (df = 1; 5150) 14,087.540*** 8,817.183***
Note: *p<0.1; **p<0.05; ***p<0.01

E os gráficos gerais e por UF (no gráfico temos o “excesso” de votos recebidos além do que seria esperado se os votos válidos de Marina tivessem sido distribuídos 50-50).

Aécio (Geral)

Aecio_Marina

Aécio (Por UF)

estados_a_m

Dilma (Geral)

Dilma_Marina

Dilma (Por UF)

estados_d_m

Aprenda a fazer previsão de eleições com o NYT.


Depois que o Nate Silver saiu do NYT, o jornal montou um novo time de previsão para eleições. O novo modelo, denominado LEO, está no ar e com uma descrição bem amigável de seu funcionamento.  A parte gráfica dos resultados também está bacana, inclusive com uma seção comparando o modelo do NYT com seus concorrentes (vale lembrar que o site conta com a ajuda do Michael Bostock, um dos caras que desenvolveu o fantástico D3 para JavaScript)

Mas, tem algo ainda melhor. O NYT liberou os dados e os códigos do modelo no github. E o modelo é em R. Ou seja, agora, para replicar e adaptar o modelo à realidade brasileira só faltam duas coisas: tempo e vontade.

Sobre os Royalties de petróleo


O congresso rejeitou os vetos da Dilma. Rio de Janeiro e Espírito Santo estão desesperados. Acho que vale à pena, portanto, resgatar um post do final de 2011, que tenta mostrar a possibilidade de isso não ser tão ruim quanto parece para a população (ou pelo menos parte da população) dos municípios dos dois estados.

Estatística na União Soviética


É bastante comum ver argumentos que são contra a liberdade econômica e, ao mesmo tempo, a favor da liberdade acadêmica, artística, de imprensa e de expressão em geral. Confunde-se – propositadamente ou não – democratização da mídia com financiamento público de propaganda ideológica, ou liberdade de imprensa com imprensa “neutra” ou “politicamente correta” (no sentido fluído que essas palavras ganham em cada contexto em que seu interlocutor usa).

Entretanto, ao menos no limite, há uma contradição inerente a este tipo de raciocínio; pois, uma vez que caiba a um órgão central definir quem exerce o quê em cada campo da esfera econômica, isto também abrange a atividade de professores, pesquisadores, jornalistas e artistas.

Se o único jornal a ser permitido no país é um jornal estatal, qual o incentivo para que notícias desfavoráveis ao governo circulem? Se as únicas universidades permitidas no país são estatais, qual o incentivo para que linhas de pesquisa que não agradem ao governo prosperem? E assim por diante. Sim, é possível contra-argumentar este argumento, e depois contra-argumentar o seu contra-argumento, e este é um debate acalorado e interessante; mas não será desenvolvido neste post. A ideia era apenas fazer uma introdução para comentar sobre a situação da ciência estatística na União Soviética na época de Stalin.

A Rússia produziu grandes estatísticos matemáticos, como Kolmogorov e Slutsky (sim, ele também é o mesmo que você estudou em microeconomia). Todavia, conforme se lê em The Lady Tasting Tea: How Statistics Revolutionized Science in the Twentieth Century, o regime comunista considerava que todas as ciências sociais eram, na verdade, ciências de classe, e  deveriam estar subordinadas ao planejamento central do partido. Para eles, a estatística era uma ciência social. E o conceito de “aleatório” ou “erro-padrão” era algo absurdo em uma economia planejada. Nas palavras de Salsburg (p.147-148):

A palavra russa para variável aleatória se traduz como “magnitude acidental”. Para planejadores centrais e teóricos, isso era um insulto […] nada poderia ocorrer por acaso. Magnitudes acidentais poderiam descrever coisas que ocorrem em economias capitalistas – não na Rússia. As aplicações da estatística matemática foram rapidamente reprimidas.

Como resultado os periódicos de estatística foram se extinguindo e os estatísticos matemáticos tiveram que, ou pesquisar assuntos estatísticos disfarçados com outros nomes, ou mudar de área. E enquanto os Estados Unidos utilizavam os desenvolvimentos dos teóricos russos na prática – como no controle de qualidade industrial – a Rússia teve que esperar algumas décadas, até o colapso da União Soviética, para ver o fruto de seus próprios cientistas aplicado à indústria.

Comunidades tribais são mais violentas? O quão próxima é a distribuição normal? O papel do BNDES.


Alguns links aleatórios.

1) Não existe má publicidade 2 (o primeiro foi com relação ao livro do Sandel). Recém publicado livro do Jared Diamond (The World Until Yesterday: What Can We Learn from Traditional Societies?) parece ter provocado a ira (aqui e aqui) de grupos defensores das comunidades tribais. Resultado: comprei a versão para Kindle.

(Via Marginal Revolution)

2) Seguem alguns posts do Larry Wasserman que queria compartilhar há algum tempo, mas havia procrastinado:

- Review do livro de Nassim Taleb, Antifragile: Things That Gain from Disorder, apenas lido pela metade (because only sissy fragilistas finish a book before reviewing it);

- Sobre bootstrapping I e II;

- Sobre teoremas de upper-bound para erros de aproximação pela curva normal (vale conferir uma sugestão que surgiu nos comentários do post, um texto histórico, bacana, sobre robustez do Stigler).

3) Sobre o papel do BNDES. Artigo de Maurício Canêdo Pinheiro, no Estadão, bota em xeque a efetividade da instituição. Como suporte, menciona o working paper do Lazzarini (What Do Development Banks Do? Evidence from Brazil, 2002-2009). Lembro-me de terem comentado bastante sobre esse artigo na última Anpec, e tenho de confessar que as conclusões do paper são bastante alinhadas com minhas crenças e intuições a priori. A despeito disso, com base em uma passada de olho, fiquei na dúvida se os dados apresentados corroboram conclusões fortes. Para não falar mais sem ler com o devido cuidado, isso fica para outro dia.

A favor do mercado ou a favor das empresas?


Na coluna de hoje, Alexandre Schwartsman enfatiza os problemas de incentivos e rent-seeking associados à uma política econômica a favor de certas empresas – o que não deve ser confundido com uma política econômica a favor de um ambiente saudável para o florescimento do mercado. Sobre este ponto, acho que vale à pena resgatar um vídeo do Friedman, que também ressalta muito bem a diferença.

Posto de gasolina não pode, mas livrarias podem! Preço mínimo para desconto em livro digital.


Vimos preços mínimos para cigarro, para advogados… agora mais uma entidade se manifesta: carta aberta da ANL sobre o livro digital pede:

• Recomendamos estabelecer um intervalo de 120 dias entre o lançamento dos livros impressos no formato de papel no mercado brasileiro e sua liberação nas plataformas digitais.

• Solicitamos que o desconto para revenda do livro digital para todas as livrarias e para as demais plataformas seja uniforme, possibilitando igualdade de condições para todos os canais de comercialização nesse novo suporte de leitura.

• Sugerimos que a diferença de preço a menor do livro digital para o formato impresso seja no máximo igual a 30%.

Posto de gasolina não pode, mas livrarias podem?