Guias e dicas para alunos de mestrado e doutorado


Na semana passada divulgamos o Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutoradodo Leo Monasterio. Nesta semana, Dave Giles faz um levantamento de guias e dicas para os alunos de mestrado e doutorado que valem a pena ser compartilhados:

Para você que está fazendo mestrado ou doutorado e se sentia perdido, eis bastante material para consulta.

Agora parece ser uma boa hora para comprar seu Kindle no Brasil (até 12/06)


Em janeiro escrevi um post explicando por que, se você gosta de ler, você deveria comprar um e-reader.  Agora fiquei sabendo de uma promoção da Amazon Brasil, com um desconto de R$100 no Kindle 4, saindo por R$199,00, mas a princípio somente até o dia 12/06/2013. Se por algum motivo você estava adiando a compra, esta parece uma excelente oportunidade.

PS: não ganho nada com a propaganda do Kindle, você também pode olhar o Kobo da Cultura. Mas por R$199,00 o Kindle, que é um excelente e-reader, também é, agora, o mais barato em venda no Brasil. Vamos torcer para que isto incite uma guerra de preços e para que estas reduções sejam permanentes.

Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado


Ainda não li, mas já peguei o meu. Leo Monasterio divulga seu livro Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado.

Dentre os tópicos abordados, os seguintes me chamaram a atenção:

- Como ser um ninja no Google Acadêmico
- Técnicas de sobrevivência aplicadas às reuniões
- Qual a diferença entre ciência e picaretagem?
- Como descobrir se um concurso para professor é armado?

E, apenas hoje, você baixa de graça para o Kindle.

Mais Google: previsões de gripe e de dengue em “tempo real”


Como já havia dito, para quem gosta de trabalhar com dados, conciliando teoria e prática, o Google deve ser a empresa dos sonhos.

Agora, veja a empresa fornecendo mapas com tendências de gripe  e  de dengue ao redor do mundo, com detalhes anuais por país e em “tempo real”, tomando por base termos de pesquisa relacionados às doenças e seus sintomas.

Será que a dengue está pior este ano do que no ano passado no Brasil? Aparentemente sim. E os dados do Google podem fornecer uma resposta mais tempestiva do que os dados oficiais:

Dengue

Mas esses dados fornecem uma boa aproximação dos casos reais? Bom, julgue você mesmo com o gráfico abaixo, comparando o indicador do Google com os dados do Ministério da Saúde:

Dengue 2

Impressionante.

Mais sobre o Google aqui (entrevista com Nate Silver) e aqui (Hal Varian aplicando teoria dos jogos na prática).

Via Marginal Revolution

Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil – 2010 e 2011


O Banco Central do Brasil divulgou, hoje, os resultados do Censo de Capitais Estrangeiros no País para os anos de 2010 e 2011. O estoque total de IED estimado para 2010 é de US$670 bilhões e, para 2011, esse valor alcançou a cifra de US$688,6 bilhões.

O Censo agora conta com nova metodologia que permite estimar o estoque integral de IED, segundo os padrões internacionais definidos na sexta edição do Manual de Balanço de Pagamentos e Posição Internacional de Investimentos (conhecido como BPM6) do FMI, e na quarta edição das Definições de Referência de IED (conhecido como BD4). Entre as novidades da pesquisa encontram-se: (i) a mensuração do IED empréstimo intercompanhia; (ii) a valoração por valor de mercado do IED participação no capital; e, (iii) a separação entre país do investidor imediado e país do investidor final. Então é preciso cautela ao comparar os dados desses dois anos com os dados dos anos anteriores.

Quanto ao primeiro ponto, o IED empréstimo intercompanhia totalizou US$82,8 bilhões em 2010 e US$99,4 bilhões em 2011 valores, portanto, substanciais. Já a mensuração por valor de mercado, apesar de ter sido realizada para apenas 11% dos declarantes, respondeu por um aumento no estoque de IED participação no capital de US$121,2 bilhões, em 2010, e de US$89,9 bilhões, em 2011, em comparação ao valor por patrimônio líquido. Por fim, a diferenciação entre país do investidor imediato e país do investidor final permite reduzir a distorção das estatísticas causadas por paraísos fiscais. Por exemplo em 2010, pelo critério de investidor imediato, a Holanda tem estoque de US$163,3 bilhões de IED participação no capital, enquanto que, pelo critério de investidor final, este número cai para US$14,9 bilhões.

Vale ressaltar aqui outra novidade: o Censo, que antes era quinquenal, passou a ter uma edição anual, direcionada a declarantes de grande porte. Deste modo, enquanto, em 2010, a pesquisa contou com 16.844 declarantes, em 2011, a pesquisa foi realizada com 3.176, cerca de 19% do número anterior, mas representando estoque declarado de IED participação no capital de US$523,3 bilhões (89% do valor total). Os 11% restantes foram foram estimados com base na última declaração dos demais declarantes, acrescidos os fluxos do balanço de pagamentos e dados do registro de capital estrangeiro (RDE-IED).

Para aqueles que se interessam por dados de investimento estrangeiro no Brasil, confira a nota aqui e os dados em excel aqui.

Rethinking Macro Policy II: First Steps and Early Lessons


Conferência com Akerlof, Tirole, Roubini, Blanchard, Romer, Stiglitz, Woodford, Fischer – entre outros nomes – será transmitida ao vivo pelo site do FMI, dias 16 (amanhã) e 17 (quarta). Vale a pena conferir.

III ENBECO – Inscrições Abertas!


As inscrições para o III ENBECO já estão abertas e podem ser feitas aqui.

O evento será em Vitória-ES na FUCAPE, conforme informações abaixo:

Data: 12 de Abril de 2013 (Sexta-Feira)
Local: Auditório da FUCAPE (Av. Fernando Ferrari, 1358. Vitória-ES).
Horário: Das 13:00 à 18:30

III-ENBECO

 

Não deixe de se inscrever!

Como organizar dados de corte transversal?


Aparentemente esta pergunta não faria sentido. Afinal, por definição, se o dado é de corte-transversal, a ordem não interferiria na análise. A rigor, não importaria quem é o 1º dado, quem é o 2º dado, e assim por diante.

Todavia, nenhum dado é literalmente – stricto sensu – de corte transversal. Na verdade, o que define se o dado é uma “série temporal” ou “corte-transversal” não é sua natureza intrínseca, mas como ele foi ordenado. Na maioria dos casos, é impossível observar todos os indivíduos no mesmo período de tempo e o que de fato fazemos é julgar que a diferença temporal (ou espacial) entre uma coleta e outra é praticamente irrelevante para análise que queremos fazer. Só que às vezes essa ordem pode revelar informações (ou vieses) interessantes.

Recentemente, trabalhando com dados que seriam de corte transversal, parei para pensar na ordem que estavam dispostos. Eles estavam organizados aleatoriamente pelo sistema. Mas eu poderia recuperar as informações de preenchimento. E se eu organizasse os dados pela ordem de entrega do questionário? Ou pela ordem de início preenchimento? Será que valeria à pena esse esforço e seriam reveladas diferenças de correlação ou heterogeneidade uma vez que esse caráter “temporal” do dado fosse explicitado? Ainda não fiz este exercício e não tenho a resposta.

Mas, ao pensar nisso, lembrei na hora de um exemplo do livro texto do Aris Spanos, que gostaria de compartilhar. Ele utiliza dados de notas de alunos em uma prova, que não sei se são anedóticos ou reais*, mas que ilustram bem o ponto.

Os dados organizados por ordem alfabética tem o seguinte gráfico:

ordem_alfabetica

Pelo gráfico, os dados não parecem apresentar auto-correlação. Estimativas de um AR(1) e AR(2) apresentam coeficientes pequenos com coeficiente de variação grande. Isso juntamente à nossa crença a priori de que a ordem alfabética não deveria interferir nas notas, nos faz concluir que provavelmente não existe dependência nos dados.

Já a organização pela ordem dos assentos resulta no seguinte gráfico:

posicao_sentado

Esta figura, diferentemente da anterior, apresenta dependência nos dados. As notas parecem estar correlacionadas positivamente. O coeficiente de um AR(1) é bastante alto e sugere que notas altas estavam próximas de notas altas e, notas baixas, de notas baixas. A ordem dos dados, neste caso, pode ter revelado algo fundamental: para Spanos, por exemplo, isso é evidência de que houve muita cola durante a prova! Eu já diria que esta conclusão é precipitada. Outro fato que poderia explicar a correlação é o de que alunos com afinidades (e, consequentemente, notas parecidas) podem gostar de sentar juntos.

Mas a lição é clara: dados que tomamos como certo serem de “corte transversal” podem apresentar uma interessante dependência entre si quando observados com mais cuidado.

* o Spanos tem uns exemplos com dados curiosos. Neste post ele utiliza uma variável secreta X, que se sabe não ser correlacionada com a população dos EUA, para prever a população dos EUA. Ele mostra como uma regressão ingênua pode ter resultados espúrios, indicando, erroneamente, que a variável X explica a população. A variável X, supostamente, seria o número de sapatos que a vó de Spanos tinha em cada ano, desde 1955. Surge daí uma pergunta natural, feita por Corey:

“…how is it that Spanos has annual data on the number of pairs of shoes owned by his grandmother going back to 1955?”

Ao que Spanos responde.

“That’s easy! My grandmother would never throw away any shoes and each pair had a different story behind it; the stories I grew up with. Each pair was bought at a specific annual fair and it was dated.”

Como o cara é de Cyprus, sei lá, pode ser que essa resposta seja culturalmente plausível. Mas para um brasileiro é no mínimo estranha; eu prefiro acreditar que os dados sejam inventados do que acreditar que ele resolveu contabilizar o número de sapatos da avó em cada ano. Com relação aos dados das notas, uma possível pista de que talvez Spanos tenha inventado os dados é a de que, primeiro, ele diz que as notas são da matéria “Principles of Economics”. Depois, de que são da matéria “Macro-Economic Principles”. Mas, sejam os dados reais, ou fictícios, os exemplos continuam válidos!

III Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia


A bacana iniciativa do Cristiano M. Costa e Cláudio Shikida terá sua terceira edição!

Dessa vez será na FUCAPE, em Vitória – ES, no dia 12 de Abril.

PS: o Análise Real estará presente em um dos painéis.