As consequências da ignorância econômica – em quadrinhos! (2)


20111030Ok, ok. Sei que já são dois posts seguidos do SMBC. Mas não poderia deixar de postar essa, sugerida em um comentário no Drunkeynesian. Veja mais sobre o SMBC no blog aqui e aqui.

A inflação na Argentina III


O jornal La Nación anuncia: argentinos ressuscitam os fiscais do Sarney.

La funcionaria resaltó que la presidenta Cristina Kirchner, la semana pasada, al anunciar “Mirar para Cuidar”, el programa de militantes en la calle controlando precios, “convocó a que todos cuidemos los logros y les dijo a los empresarios que el aumento en los salarios y asignaciones, no hay ninguna razón para que nada cambie de precio por estos anuncios”.

Via Celso Toledo.

Um livro de História do nosso país


Após um período viajando, blog de volta. Para retomar as atividades, compartilho uma imagem não muito boa da realidade educacional de nosso país (via Roberto Ellery):

livro_imparcial

 

Imparcial e historicamente acurado, não?

Isso me lembrou uma prova para médicos, no mesmo nível, do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná.

Posto de gasolina não pode, mas livrarias podem! Preço mínimo para desconto em livro digital.


Vimos preços mínimos para cigarro, para advogados… agora mais uma entidade se manifesta: carta aberta da ANL sobre o livro digital pede:

• Recomendamos estabelecer um intervalo de 120 dias entre o lançamento dos livros impressos no formato de papel no mercado brasileiro e sua liberação nas plataformas digitais.

• Solicitamos que o desconto para revenda do livro digital para todas as livrarias e para as demais plataformas seja uniforme, possibilitando igualdade de condições para todos os canais de comercialização nesse novo suporte de leitura.

• Sugerimos que a diferença de preço a menor do livro digital para o formato impresso seja no máximo igual a 30%.

Posto de gasolina não pode, mas livrarias podem?

O “lucro” Brasil I


Um dia alguém inventou uma “explicação” para os preços altos dos carros brasileiros, falou que era culpa do “lucro” Brasil. E isso pegou. Entre leigos não me espanta a aceitação desta justificativa, mas sua divulgação por economistas me incomoda.

Preços são como um termômetro e refletem fatores reais da economia que, grosso modo, podemos chamar de fatores de ‘escassez relativa’ – isto é, aqueles resultantes do cotejamento entre oferta e demanda. O lucro é um preço e, como tal, é consequência de algum fator real da economia.

Deste modo, falar que o carro no Brasil é caro porque o lucro no Brasil é alto não explica a razão de o carro ser caro. É a mesma coisa de se dizer que uma pessoa está com febre e a causa da febre é o termômetro que acusa temperatura acima de 40ºC (na verdade nem isso seria, pois margem de lucro alta não implica em preço alto).Um custo alto e/ou uma margem de lucro alta são consequências de algum outro fator real da economia, e não causa. É (são) esse(s) fator(es) que deve(m) ser explicado(s).

E entre os fatores, são medidas exatamente como esta que explicam o fato de pagarmos por um dos carros mais caros do mundo.

É errado discriminar preço? Mais ainda por gênero?


No Brasil, alguns iluminados acharam que deveriam favorecer os usuários de cartões de crédito em detrimento dos que preferem pagar à vista e receber desconto. Assim, aqui, apesar de muitos ainda não saberem (como eu não sabia há algum tempo), é proibido discriminar preço por meio de pagamento.

Se você ficava perplexo por não conseguir desconto à vista, eis um dos motivos. Apesar de a transação com o cartão envolver custos adicionais, o lojista é obrigado a cobrar o mesmo preço e dividir estes custos com os demais consumidores que pagam em dinheiro. Os governantes e legisladores do nosso país não se cansam de inventar formas de ferir o bom senso econômico (ou de facilitar a vida das bandeiras de cartão).

Entretanto, não sei se para consolo ou desespero, é possível achar legislações mais esdrúxulas ao redor do mundo.

Você seria a favor de uma lei que proibisse a discriminação de preços por gênero? Posto desta forma – e em virtude do patrulhamento cego do “politicamente correto” – é até capaz de você achar que discriminar preços entre homem e mulher seja algo ruim. Mas, não é. Pare para refletir: você se depara com isso a todo tempo no seu dia-a-dia. Basta ir ao cabeleireiro e perceber que o preço do corte masculino é diferente do preço do corte feminino. Ou comprar um seguro de vida. Ou aderir a um plano de saúde. E assim por diante.

Mas, segundo o Wall Street Journal, desde o ano passado a cidade de Nova York está buscando aplicar uma lei de 1998, multando salões de beleza por diferenciarem seus preços entre homens e mulheres.

Isto concorre em pé de igualdade com a medida brasileira – se já não existir uma lei como essas por aqui, apenas esperando um iluminado, com sua boa vontade bancada pelos cofres públicos, para colocá-lá em prática.

Via Market Design

Monopólio da pobreza


Aqui no Brasil, todo mundo quer usar as leis e o governo para retirar recursos da sociedade em seu favor. Se não para transferência de renda de maneira direta, ao menos para conseguir monopólios.

Os jornalistas, por exemplo, em detrimento da liberdade de expressão, querem reaver o monopólio da notícia, chegando ao ponto esdrúxulo de fazer lobby para uma emenda constitucional. Sobre este tema – que merecia post em separado, mas fica para algum dia – deixo aqui o texto  de Lúcia Guimarães e também texto antigo do Alexandre Barros, que não é sobre o jornalismo, é mais geral, mas cabe bem ao assunto.

Mas os advogados, de quem já falamos aqui (sobre controle de preços), porquanto íntimos do sistema e seus meandros, acabam sendo os piores. Sempre.

Vale à pena ler este artigo de denúncia à OAB, que proíbe o exercício da profissão de forma voluntária. Caso o pobre necessite do serviço, o advogado não pode se oferecer para prestá-lo gratuitamente, para que isso não atrapalhe as intenções da OAB de receber dinheiro público pelo ofício – um verdadeiro monopólio da pobreza.

A lei da oferta e demanda é uma mentira


A despeito de tudo, a história se repete.

Desta vez na Venezuela.

Hugo Chávez quer controle de preços para tentar conter a inflação e vê as prateleiras dos supermercados ficarem vazias. Karlin Granadillo, o controlador de preços do governo, ainda tenta argumentar brilhantemente: “A lei da oferta e demanda é uma mentira!”.

Via: A mão visível.