Como acompanhar blogs de uma maneira melhor? Ou, você já substituiu o Google Reader?


Uma das melhores formas de acompanhar seus blogs favoritos é ter um leitor de RSS. Com ele você não precisa lembrar de entrar em cada um dos blogs que acompanha para saber se há um post novo. Você recebe o conteúdo diretamente no seu leitor, seja no computador, tablet ou celular. Inclusive, a formatação de leitura costuma ser melhor do que nos próprios blogs.

Um leitor muito popular era o Google Reader que, infelizmente, será encerrado. Se você ainda utiliza o Google Reader, não perca mais tempo e migre logo para um outro leitor, para não correr o risco de ter que reconstruir sua lista de blogs. Eu, particularmente, recomendo o Feedly, pois a migração é muito fácil, basta um click.

E se você ainda não tinha um leitor de RSS, aproveite para começar a utilizar um. No começo você poderá achar um pouco estranho, mas depois verá que ele te poupará bastante tempo e será bastante útil em suas leituras.

Para não dizerem que sugeri apenas um leitor, seguem abaixo outras opções:

 

Leituras não recomendadas: estupro de fótons e preconceito linguístico.


Percebi que estava divulgando apenas as leituras mais interessantes. Mas, divulgar aqueles artigos em que o autor pisou na bola, principalmente daqueles sites que acompanhamos, talvez seja tão informativo quanto. Então, para variar, seguem abaixo dois textos não recomendados.

Nem tudo o que você pensa, por mais interessante que seja como abstração, deve ser externalizado. Um risco de se escrever em blog é justamente esse. Por haver pouca restrição antes da publicação (além de você mesmo), você pode acabar publicando raciocínios que, mesmo se válidos sob alguma ótica, simplesmente não precisavam ter visto a luz do dia. Steve Landsburg  argumenta que casos de estupro em que a vítima não se recorde de nada, e que não tenham nenhuma sequela física, não são, digamos, tão ruins assim. Como ilustração, afirmou que a penetração em si não quer dizer nada; pois, por exemplo, quando alguém acende uma luz, vários fótons penetram nosso corpo e nem por isso podemos processar legalmente esta pessoa. Para os incrédulos, segue o parágrafo:

Every time someone on my street turns on a porch light, trillions of photons penetrate my body. They cause me no physical harm and therefore the law does nothing to restrain them. Even if those trillions of tiny penetrations caused me deep psychic distress, the law would continue to ignore them, and I think there’s a case for that [...] So for the issues we’re discussing here, bodily penetration does not seem to be in some sort of special protected category.

Nem preciso dizer que isso causou rebuliço na blogosfera. Por exemplo, Brad DeLong, exageradamente, é certo, conferiu à Landsburg o título de “pessoa mais estúpida viva”.

Já Guilherme Fiuza gasta mais da metade de seu artigo, que supostamente seria de crítica ao governo Dilma, apenas demonstrando desconhecimento de Linguística e de critérios de correção de prova. Não, por mais que eu não concorde com o governo, nem o caso do Miojo do ENEM, muito menos o caso de uma nota máxima a despeito de um mero erro ortográfico provariam o fracasso de uma política educacional, fosse do PT, do PSTU, do DEM ou do PSDB – se há fracasso neste campo, as razões e evidências são outras, e não estas.

Tampouco é interessante criticar a Dilma por ser mineira. Se um carioca falar “ishperto” ao invés de “esperto” ou “lião” ao invés de “leão” isso não é demonstração de ignorância, da mesma forma que não o é quando um mineiro fala “fazeno” ao invés de “fazendo”. Tudo bem, pode ser engraçado para pessoas de outras regiões; e a Dilma, como presidente, deveria vigiar sua fala e evitar regionalismos. Se o objetivo era fazer graça, tudo bem, piada é piada! Só não inclua isso em sua crítica ao governo; pois, se é para criticar, critique direito, do contrário a impressão que fica para pessoas de fora do seu círculo (pelo menos na minha amostra de 5 economistas consultados) é a de que, para chegar a este ponto, há muito pouco a ser criticado – o que definitivamente não é o caso!

Capitalismo para os pobres. O supra-sumo da discriminação de preços.


Os projetos estão andando, pouco tempo para procrastinar. Mas nem por isso deixo de compartilhar leituras interessantes de outros blogs, que atualmente tem mais tempo de procrastinação produtiva do que este.

Diogo Costa entra no mundo da blogosfera com o provocativo Capitalismo Para os Pobres. Diogo busca recuperar o caráter “progressista” do capitalismo, mostrando como este, quando bem aplicado, beneficia os mais pobres; busca diferenciar entre defender o mercado para todos, e defender privilégios de mercado para algumas empresas, que é o que atualmente se vê no Brasil: um capitalismo de compadres (ou de laços).

Enquanto os ricos têm capitalismo, aos pobres resta o fardo de uma economia ineficiente e regulada:

Pense no varejo. Rico faz compras em Miami. Pobre fica entre comprar produtos chineses altamente tarifados ou o substituto nacional altamente tributado. Pense no trabalho. Rico trabalha como Pessoa Jurídica. Os encargos trabalhistas não abocanhem seu salário. Pobre trabalha amarrado pela CLT. Todo empregado pobre é um trabalhador mais suas circunstâncias fiscais. Pense nas finanças. Rico consegue empréstimos subsidiados pelo BNDES. Pobre tem que pagar juros exorbitantes incluindo os subsídios governamentais. Pense na construção civil. Rico consegue licitação de obras com garantia lucros. Os pobres pagam a conta caso o projeto do rico dê errado. Pense nos impostos. A tributação brasileira é regressiva. Ricos pagam proporcionalmente menos tributos que os pobres.

Em post(s) futuro(s), vou tentar mostrar que essa visão “progressista” sobre o livre-mercado não é ou foi esposada somente por liberais, mas também o foi por muitos dos primeiros reformistas sociais (socialistas, anarquistas).

Alex Tabarrok nos traz um caso curioso de discriminação de preços, talvez o mais engenhoso que já vi.

Você já se perguntou por que companhias áreas vendem a passagem mais cara quanto mais próximo se está da viagem?

É uma forma de discriminar preços. Em geral, aqueles que compram a passagem em cima da hora tem algum compromisso inadiável (como uma reunião de trabalho) e estão dispostos a pagar mais caro. Os que desejam apenas passear são mais flexíveis e mais sensíveis a preços; se a passagem para certo destino e data ficar muito cara, muda-se ou a data, ou o destino, ou ambos. Assim, quem compra com antecedência, em geral, é aquele com a demanda mais elástica, e as companhias aéreas dão desconto.

Mas a única forma de discriminar preços seria pelo tempo da compra? Não. Aparentemente, a empresa GetGoing.com inventou uma nova forma: você escolhe dois destinos para os quais deseja ir e a data. A empresa então sorteia um desses destinos aleatoriamente e compra para você, com cerca de 40% de desconto. A relação é ganha-ganha: você viaja a menor custo; a companhia aérea consegue discriminar preços de maneira mais eficiente, pois, se você é tão flexível assim com relação ao local, você é um passageiro de demanda bastante elástica.

III Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia


A bacana iniciativa do Cristiano M. Costa e Cláudio Shikida terá sua terceira edição!

Dessa vez será na FUCAPE, em Vitória – ES, no dia 12 de Abril.

PS: o Análise Real estará presente em um dos painéis.

 

Comunidades tribais são mais violentas? O quão próxima é a distribuição normal? O papel do BNDES.


Alguns links aleatórios.

1) Não existe má publicidade 2 (o primeiro foi com relação ao livro do Sandel). Recém publicado livro do Jared Diamond (The World Until Yesterday: What Can We Learn from Traditional Societies?) parece ter provocado a ira (aqui e aqui) de grupos defensores das comunidades tribais. Resultado: comprei a versão para Kindle.

(Via Marginal Revolution)

2) Seguem alguns posts do Larry Wasserman que queria compartilhar há algum tempo, mas havia procrastinado:

- Review do livro de Nassim Taleb, Antifragile: Things That Gain from Disorder, apenas lido pela metade (because only sissy fragilistas finish a book before reviewing it);

- Sobre bootstrapping I e II;

- Sobre teoremas de upper-bound para erros de aproximação pela curva normal (vale conferir uma sugestão que surgiu nos comentários do post, um texto histórico, bacana, sobre robustez do Stigler).

3) Sobre o papel do BNDES. Artigo de Maurício Canêdo Pinheiro, no Estadão, bota em xeque a efetividade da instituição. Como suporte, menciona o working paper do Lazzarini (What Do Development Banks Do? Evidence from Brazil, 2002-2009). Lembro-me de terem comentado bastante sobre esse artigo na última Anpec, e tenho de confessar que as conclusões do paper são bastante alinhadas com minhas crenças e intuições a priori. A despeito disso, com base em uma passada de olho, fiquei na dúvida se os dados apresentados corroboram conclusões fortes. Para não falar mais sem ler com o devido cuidado, isso fica para outro dia.

“Novos” na lista de blogs


Vez ou outra eu me dou conta de que a lista de blogs ao lado está desatualizada. Menos freqüentemente ainda eu me lembro de atualizá-lá. Hoje foi um desses dias. Na lista constam mais quatro blogs que já acompanhava há algum tempo, mas que sempre me esquecia de adicioná-los:

- The Drunkeynesian;

- Normal Deviate;

- Blog do Irineu de Carvalho Filho;

- The Big Questions.

O estado da blogosfera econômica


Economic Logic comenta sobre o estado da blogosfera econômica e sobre o projeto de Zimmermann, EconAcademics.org, que monitora diversos blogs acadêmicos de economia, principalmente quando estes debatem papers indexados no Ideas. Fantástico.