As coisas mudam…igualdade de gêneros.


Em 1824, James Mill (pai de John Stuart Mill) publicou um ensaio, suplemento da enciclopédia britânica, intitulado On Government. A certa altura, ao discorrer sobre como definir o eleitorado em uma democracia representativa, menciona (grifo meu):

One thing is pretty clear, that all those individuals whose interests are indisputably included in those of other individuals may be struck off without inconvenience. In this light may be viewed all children, up to a certain age, whose interests are involved in those of their parents. In this light, also, women may be regarded, the interest of almost all of whom is involved either in that of their fathers or in that of their husbands.

Essas poucas linhas geraram uma furiosa resposta, de mais de 200 páginas, de William Thompson e Anna Wheeler, no livro – com título mais do que auto-explicativo - Appeal of One Half the Human Race, Women, Against the Pretensions of the Other Half, Men, to Retain Them in Political, and hence in Civil and Domestic Slavery.  A visão de James Mill, felizmente, também não foi seguida por seu filho, que, mesmo que tardiamente, publicou ensaio em defesa da igualdade de gêneros, The Subjection of Women.

Avançou-se bastante. Mas, aproveitando o assunto, vale lembrar que a causa não deve ser utilizada para justificar irracionalidades econômicas, como nestes casos de salão de beleza (aqui) e seguro de automóvel (aqui).

A economia dos mundos virtuais


Inflação, deflação, ciclos econômicos e corridas bancárias também existem nos mundos virtuais, que podem servir como grande fonte de dados para análises econômicas. Para mais, leia esta interessante matéria do Washington Post.

Via Mankiw e Marginal Revolution.

100 anos de Milton Friedman


Hoje Milton Friedman faria 100 anos. Vale à pena tirar um momento para alguns dos diversos vídeos elencados no canal Free to Choose e ver um dos mais argutos economistas em ação. Deixo abaixo dois do Tyranny of Status Quo:

Mais sobre a economia (e a matemática, e a estatística) de Jogos Vorazes


Não é só a análise de Matthew Yglesias.

Também temos uma análise de sobrevivência (estatística) de Brett Keller.

Na Forbes, as cinco lições econômicas de jogos vorazes por Erik Kain.

E na Wired, conceitos de probabilidade e teoria dos jogos por Michael Lewis.

A Economia de Jogos Vorazes


Meu amigo Paulo me chamou a atenção ao artigo de Matthew Yglesias na Slate sobre a economia de Jogos Vorazes.  O artigo é legal, consegue juntar os conceitos de resíduo de solow e as ideias de A&R para tentar dar algum sentido à história do filme (que, definitivamente, não faz jus ao sucesso que vem obtendo).

 

Os casados são mais felizes? Ou sobre causas e conseqüências.


Tratei anteriormente sobre a troca entre meios e fins bem como entre intenções e resultados. Agora, para passar o tempo antes de escrever a dissertação, gostaria de falar de uma confusão muito mais intrincada. Até, muitas vezes, a depender do problema, eternamente insolúvel: aquela entre causa e conseqüência.

Suponha que alguém lhe apresente dados de uma pesquisa em que se constate que a felicidade de pessoas casadas é maior do que a dos solteiros. A partir daí podemos concluir que casar deixa, na média, as pessoas mais felizes e, portanto, recomendar que as pessoas se casem, certo?

Bem, antes de concluirmos apressadamente, que tal pensarmos na seguinte hipótese. Pessoas mais felizes têm mais facilidade de se casar. Parece algo plausível, afinal, se você é uma pessoa “naturalmente mais alegre”, ou que está em uma situação confortável na vida, pode ter mais facilidade em um relacionamento do que alguém “naturalmente mais triste”, ou que passa, digamos, dificuldades financeiras.

Ora, mas se isso é uma hipótese válida, não poderia ser que observamos os casados mais felizes do que os solteiros justamente porque aqueles que são  (ou estão) mais felizes se casam mais facilmente? Aí entra o problema de identificação entre causa e conseqüência – casar deixa as pessoas mais felizes ou as pessoas mais felizes se casam mais?

Há diversos estudos sobre este assunto em particular. Em geral, do que já li, as conclusões são ambíguas, mas tendem a aceitar as duas hipóteses: sim, pessoas felizes casam mais; contudo, ainda assim há um efeito positivo do casamento em si sobre a felicidade do casal. Para não ficar sem citar nada, um em particular que trata do assunto e que sempre me vem à cabeça (por causa do título fácil – olhe a importância de um bom título) é o do Bruno Frey “Does marriage make people happy,or do happy people get married?”, autor que tenho evitado mencionar pois se envolveu em caso de (auto)plágio.

Há vários exemplos que poderíamos abordar. Por exemplo, no Brasil, as universidades públicas são realmente melhores do que as universidade particulares (como diz o senso comum), ou essa impressão decorre simplesmente do fato de que os melhores alunos acabam indo para as universidades públicas? Crianças que passam muito tempo em frente à televisão se tornam “anti-sociais” ou crianças que não gostam tanto de sair passam muito tempo em frente à televisão justamente para evitar contato?

Por fim, gostaria de ressaltar que se percebe daqui que dados, sozinhos, não nos fornecem muita coisa. Infelizmente, os dados não falam por si, é preciso tratá-los, interpretá-los. Para isso é essencial uma boa teoria que explique a relação observada. Às vezes, quando muito bem deduzida, a teoria por si só pode ser suficiente. Entretanto, como não somos infalíveis e em geral nossas especulações não são completas, nunca é demais – e às vezes pode ser o melhor que temos – tratar os dados estatisticamente e confrontar teoria com realidade.