Dilma, Marina e Aécio (e Pastor Everaldo?) no Google Trends!


Olhem que curioso o Google Trends das buscas pelos presidenciáveis, Dilma, Marina e Aécio, nos últimos 30 dias:

Trends

 

Por algum acaso, as tendências parecem refletir um pouco os resultados das pesquisas eleitorais. Dilma, em azul pontilhado, tinha o maior número de buscas. Até que, de repente, Marina – em vermelho –  a ultrapassou. Uma nota: o pico de Dilma Rousseff é fruto da entrevista no Jornal Nacional e, aparentemente, parece ter sido mais mérito de William Bonner do que da Presidenta, segundo os dados das pesquisas relacionadas.

BONNER

Mais recentemente, parece que as buscas estão se aproximando. Vendo apenas os últimos sete dias:

trends7dias

Vale ressaltar, logicamente, que os dados do Google Trends são dados de busca na internet; por favor, não são dados de intenção de voto.  Para ilustrar, vejamos o pastor Everaldo, em verde:

everaldo

 

Algo estranho para quem tem menos de 2% das intenções de votos. Entretanto, vejamos as buscas relacionadas:

peido_everaldo

 

Se você não entendeu, provavelmente foi um dos poucos que não viu este vídeo. Ou seja, não basta ver o número de buscas, mas também seu teor. A despeito dessas ressalvas, incluir o Google Trends como mais um dos inputs para previsão eleitoral talvez não seja uma má idéia.

PS: você pode brincar com essas pesquisa aqui!

Previsões para eleição no Brasil?


Ontem, me indicaram um site que está se aventurando nesta empreitada: Polling Data. O autor está utilizando dois modelos diferentes, um baseado na agregação das pesquisas eleitorais, e outro com base em variáveis estruturais (como o PIB). O interessante é que os modelos estão apresentando resultados diferentes agora depois da última pesquisa. Os resultados são confiáveis? Não saberia dizer, senti falta de uma avaliação do modelo proposto com previsões fora da amostra. Acompanhemos!

Conhece mais alguém que está modelando as eleições? Compartilhe!

PS: para quem usa R, dei uma olhada nos gráficos e código fonte e é provável que o autor esteja usando shiny e ggvis!

Aprenda a fazer previsão de eleições com o NYT.


Depois que o Nate Silver saiu do NYT, o jornal montou um novo time de previsão para eleições. O novo modelo, denominado LEO, está no ar e com uma descrição bem amigável de seu funcionamento.  A parte gráfica dos resultados também está bacana, inclusive com uma seção comparando o modelo do NYT com seus concorrentes (vale lembrar que o site conta com a ajuda do Michael Bostock, um dos caras que desenvolveu o fantástico D3 para JavaScript)

Mas, tem algo ainda melhor. O NYT liberou os dados e os códigos do modelo no github. E o modelo é em R. Ou seja, agora, para replicar e adaptar o modelo à realidade brasileira só faltam duas coisas: tempo e vontade.

Efeitos da urna eletrônica: participação maior dos iletrados, mais gastos com saúde e mais votos para a esquerda.


Hoje já estamos acostumados com o uso da urna eletrônica. É rápido, barato, eficiente e muitos garantem ser mais seguro do que o processo anterior. Mas, além desses benefícios, a adoção do sistema eletrônico no Brasil trouxe outros efeitos?

Sim, e é isso que Thomas Fujiwara tenta mostar. Em 1998, foi iniciado o processo de implementação em larga-escala do uso da urna eletrônica no Brasil. Entretanto, como ainda não havia máquinas para todos os municípios, apenas aqueles com mais do que 40.500 votantes receberam a urna – e este detalhe é muito interessante, pois faz com que o implemento da votação eletrônica seja um “quase-experimento” em grande escala.

Como? É plausível imaginar que os fatores determinantes de um município estar logo abaixo (ou logo acima) de 40.500 votantes sejam aleatórios, não-controláveis – isto é, ninguém consegue determinar exatamente quantos votantes existirão na cidade, pois choques externos afetam este número. Deste modo, os municípios com pouco menos de 40.500 votantes e os municípios com pouco mais de 40.500 votantes podem ser considerados similares, sendo a única diferença a adoção (aleatória) da urna eletrônica nas eleições, configurando um regression discontinuity design. Assim,  diferenças  encontradas na proximidade do ponto de corte são estimativas de efeitos causais da votação eletrônica em municípios deste porte.

Tendo isso em vista, Fujiwara estima o efeito causal do uso da urna eletrônica na participação (válida) dos eleitores e o efeito encontrado é bastante grande – cerca de 12 pontos percentuais de votos a mais. O autor vai além, e argumenta que este aumento é devido, principalmente, a uma participação maior de eleitores pouco educados. Apesar de, para alguém alfabetizado, o voto em papel ser uma tarefa trivial, esta pode ser uma tarefa bastante complicada para um analfabeto. A urna eletrônica, por sua vez, além de apresentar a foto do candidato, requer apenas o uso de números, o que facilita sobremaneira o voto. E, de fato, municípios com iletrados acima da média apresentaram um aumento de participação entre 15 a 19 pontos percentuais.

Uma vez que a adoção da urna eletrônica aumenta o número de pessoas mais pobres e iletradas na votação, Fujiwara estima ainda outros efeitos decorrentes deste fato, como:  o aumento na proporção de votos para partidos de esquerda (1/3 de desvio padrão) e o aumento de cerca de 50% com gastos em saúde pública em 8 anos, com repercussões no número visitas pré-natal para mulheres, bem como no peso de recém-nascidos.

Mas será que estes efeitos não são correlações espúrias? A argumentação do autor é persuasiva, mostrando que outras fontes de erro não são tão plausíveis (mas, evidentemente, sempre possíveis). Dentre os argumentos, cabe mencionar, por exemplo, um teste placebo com relação ao primeiro efeito que mencionamos – o aumento da participação nas eleições – com resultados virtualmente iguais a zero.

É racional votar?


Vimos que as pessoas podem não ser tão racionais na hora da escolha de seu candidato, deixando fatores externos, como uma partida de futebol, alterarem suas preferências.  Mas e o próprio ato de se dar ao trabalho de comparecer às urnas, seria racional?

As chances de uma eleição ser decidida por apenas um voto são muito pequenas, quase nulas. Nos Estados Unidos, por exemplo, Gelman estima que essa probabilidade seja de 1 em 1 milhão. Deste modo, um agente racional muito provavelmente decidiria não votar, certo? Afinal, existe um custo para votar e o retorno esperado seria, virtualmente, zero.

Bom, depende.

Se você avalia o resultado das eleições apenas pelo seu benefício direto, sim, seria irracional ir às urnas. Você somente iria se achasse o ato de votar prazeroso em si, por exemplo. A partir deste pressuposto, a alta taxa de comparecimento verificada nas eleições seria um paradoxo.

Mas, se você considera que a vitória de um candidato traz benefícios não somente para você, mas para toda a população, e você se importa com a satisfação dos outros, então o valor esperado do resultado das eleições pode ser positivo – aliás, pode ser muito alto. Suponha que você julgue que a vitória de seu candidato traga um benefício líquido de R$10,00 para cada indivíduo no Brasil. Neste caso, o resultado das eleições equivaleria a ganhar um prêmio de R$2 bilhões. Gelman modela esta situação e mostra como o ato de comparecer às eleições pode ser mais racional do que se imagina.

O poder da estatística, ou como você é tão previsível 2


No mundo de dados abundantes, como disse Hal Varian, saber tratá-los e interpretá-los (bem) torna-se cada vez mais fundamental, e a (boa) estatística já se torna a profissão sexy da vez.

As aplicações são as mais diversas: desde prever, pelos hábitos de compra, quando sua cliente está grávida e quando o bebê irá nascer; passando, também, por utilizar buscas do Google para fazer “previsões em tempo real”; até prever o resultado de duas eleições presidenciais.

Sobre este último ponto, o livro do Nate Silver ainda estava na minha wish list, esquecido… mas, depois do animado post do Drunkeynesian, venci a procrastinação. Livro comprado – comentários em breve eventualmente!

Uma partida de futebol pode mudar o resultado das eleições?


Tomando como analogia este estudo, sim.

A hipótese é a de que, quando você está de bom (mau) humor, você tende a gastar mais tempo avaliando o lado positivo (negativo) das coisas, inclusive do atual governante.

Os autores buscaram testar esta hipótese analisando os jogos esportivos locais. Sabe-se que os resultados desses jogos afetam o bem-estar das pessoas e não são frutos de decisões políticas. 

Em tese, portanto, você não deveria mudar a avaliação sobre um governante simplesmente porque seu time ganhou um jogo na última semana.

Contudo, os resultados encontrados indicam que, na média, as pessoas mudam o voto – e os valores encontrados foram relativamente altos! Uma vitória do time local, 10 dias antes das eleições, poderia aumentar os votos para o candidato da situação em até 1.13 pontos percentuais.

A primeira reação a esse valor pode ser – como foi a minha – a de pensar que estamos diante de uma correlação espúria. Ora, não é possível que um mero resultado de um jogo mude tanto os resultados de uma eleição… Mas os autores são cuidadosos e têm uma retórica persuasiva. Primeiro, eles controlam para outros fatores e isso não muda muito a magnitude do coeficiente. Segundo, eles realizam um teste placebo, buscando verificar se jogos futuros afetam as eleições no passado (o que seria absurdo) e encontram coeficientes quase iguais a zero e estatisticamente insignificantes.

Mas, além dos dados acima – não experimentais – os autores aplicam questionários durante um campeonato de basquete universitário. Neste caso, é possível controlar com mais cuidado fatores diversos que permitiriam encontrar uma correlação espúria. Os resultados foram similares – cada vitória elevava a aprovação de Obama, na média, em 2.3 pontos percentuais. E, fato interessante, quando os participantes foram informados dos resultados dos jogos antes de se perguntar sobre Obama, o efeito desapareceu! Isto é, uma vez que o sujeito se torna consciente do que está afetando seu bom humor, ele não deixa isso afetar outras áreas de sua vida, como o julgamento sobre o desempenho de um político.

Com dados eleitorais e esportivos abundantes no Brasil, acredito que seja possível replicar este estudo por aqui.

Via Andrew Gelman e Marginal Revolution.