A favor do mercado ou a favor das empresas?


Na coluna de hoje, Alexandre Schwartsman enfatiza os problemas de incentivos e rent-seeking associados à uma política econômica a favor de certas empresas – o que não deve ser confundido com uma política econômica a favor de um ambiente saudável para o florescimento do mercado. Sobre este ponto, acho que vale à pena resgatar um vídeo do Friedman, que também ressalta muito bem a diferença.

100 anos de Milton Friedman


Hoje Milton Friedman faria 100 anos. Vale à pena tirar um momento para alguns dos diversos vídeos elencados no canal Free to Choose e ver um dos mais argutos economistas em ação. Deixo abaixo dois do Tyranny of Status Quo:

Milton Friedman – Por DeLong


Brad DeLong explicando por que faz seus alunos lerem o livro Free to Choose.

O livro também existe em vídeo e, para quem ainda não viu, pode ser conferido aqui.

Em 2012 Friedman, um dos mais argutos economistas, faria 100 anos.

E para voltar ao assunto das drogas, que tratamos aqui e aqui, segue vídeo do economista argumentando a favor da legalização.

A violência da Cocaína e do Crack.


Tinha mencionado, em post anterior, o site da Rede de Economia Aplicada, que parece conter trabalhos interessantes. Um que acabei de ler é o Assessing the Crack Hypothesis Using Data from a Crime Wave, do João Mello.

As drogas podem ter efeito na violência de uma cidade por pelo menos três canais: (i) alteração subjetiva do indivíduo, levando-o a praticar atos violentos; (ii) crimes do usuário para financiar o consumo; e, (iii) violência sistêmica, decorrente da criminalização do uso, causada por conflitos entre traficantes e policiais, entre as próprias gangues, e outros meios. Este último caso ocorre porque, sendo o mercado proibido, a competição acaba por descambar para a violência ao invés de ser resolvida pelo sistema legal e pelo sistema de preços.

Utilizando dados da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, os resultados encontrados no estudo sugerem que a violência – em particular homicídios – ocasionada pela cocaína e pelo crack é resultado, na prática, do terceiro canal.  Isto é, a violência é produto da criminalização do uso dessas substâncias. Nenhum dos outros dois motivos, que são relacionados ao uso, foram significativos para explicar a variação de crimes na cidade. Logo, caso fossem legalizadas, esperar-se-ia observar uma redução significativa destas ocorrências em São Paulo, ainda que o consumo de drogas crescesse. O significado disto é direto: os dados mostram o enorme custo da “guerra contra as drogas” que, além do dispêndio financeiro – que retira recursos preciosos e escassos da população – tem como subproduto a violência generalizada em grandes centros urbanos.

Vale reforçar a mensagem: quando deixamos de lado as intenções da política de criminalização das drogas, e observamos os dados, a cena torna-se cada vez mais clara. A principal violência da cocaína e do crack, que são drogas pesadas, ainda é a violência institucional. Sim, há dezenas de casos particulares de famílias destruídas, de usuários violentos, que poderiam ser citados – são situações que apelam para o lado emocional, que marcam o sentimento, e muitas vezes fazem a vontade de tentar mudar esta situação prevalecer a qualquer custo. Contudo, aquelas vítimas que não têm uma história comovente e que não aparecem nos jornais e na televisão são maioria. Tanto que os demais casos se tornam estatisticamente insignificantes para explicar a criminalidade. E este custo não pode ser ignorado.

Assim, a guerra contra as drogas pode até ter um objetivo claro e nobre. Mas na prática parece estar alcançando outros menos dignos de nota (como na imagem abaixo!).

Ps. Isto me lembra do artigo de Milton Friedman, The war we are losing, de mais de 20 anos, mas cuja leitura ainda vale à pena.