Déficits causam câncer


Reinhart e Rogoff perderam muito tempo com os argumentos errados. Vejam o gráfico:

deficit_e_cancer

Brincadeiras à parte, gostei da carta dos autores a Krugman e do post do Hamilton.

Já DeLong argumenta que, se os autores dizem que a idéia geral do artigo não se altera radicalmente por causa dos erros, por outro lado, isso não muda o fato de o argumento ter sido fraco desde o princípio (não que eu concorde com DeLong, mas o ponto é mais do que pertinente):

The third thing to note is how small the correlation is. Suppose that we consider a multiplier of 1.5 and a marginal tax share of 1/3. Suppose the growth-depressing effect lasts for 10 years. Suppose that all of the correlation is causation running from high debt to slower future growth. And suppose that we boost government spending by 2% of GDP this year in the first case. Output this year then goes up by 3% of GDP. Debt goes up by 1% of GDP taking account of higher tax collections. This higher debt then reduces growth by… wait for it… 0.006% points per year. After 10 years GDP is lower than it would otherwise have been by 0.06%. 3% higher GDP this year and slower growth that leads to GDP lower by 0.06% in a decade. And this is supposed to be an argument against expansionary fiscal policy right now?….

Gráfico retirado de Os números (não) mentem.

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3 pensamentos sobre “Déficits causam câncer

  1. Cinelli,

    Entendo a crítica que ele fazem ao posicionamento do Krugman, principalmente em relação ao tom da crítica dele no blog, mas isso não muda o fato de que o problema dessa questão não é “Reinhart e Rogoff x Krugman”, mas com a comunidade de economistas que respondeu de forma crítica ao artigo deles com o tal debt treshold e validade dos dados e da metodologia que eles usaram.

    Por mais que outros estudos possam apoiar a “tese nuclear” do artigo isso não apaga os problemas do artigo deles. Penso que os autores fizeram muito mais uma “defesa do patrimônio” do que um mea culpa, como eu (ao menos) esperaria.

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    • O problema do Krugman não foi o tom, foi o fato de ele ter feito acusações pessoais com coisas que foram facilmente desmentidas por R&R. Muita gente tem tentado capitalizar em cima do erro do excel e da metodologia de ponderação. Mas essas mudanças não afetam as principais “conclusões” (as principais estatísticas descritivas) e, na verdade, elas só ganharam repercussão por causa do erro do excel (pois é um erro muito simples e as pessoas ainda têm a ilusão de que esses tipos de erro não estão por toda a parte). Por isso discutir nessa linha não rende muita coisa depois de eles já terem admitido o erro.

      Agora, há pontos pertinentes que não têm nada a ver com o erro do excel. Um deles é esse que o DeLong levantou, o de que mesmo supondo que a correlação encontrada seja toda decorrente de causalidade, ainda assim o efeito estimado seria muito pequeno frente aos possíveis benefícios (concordar com ele é outra história).

      Abraços

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