Um efeito da pobreza


Tinha deixado escapar um post bastante interessante do Alex Tabarrok no Marginal Revolution sobre um artigo que discute um possível efeito imediato da pobreza: com recursos escassos, há uma tendência de focarmos naquilo que é mais urgente e não naquilo que é mais importante.

O paper buscou mostrar, com experimentos, que jogadores com menos “recursos” durante a partida acabaram por, na média, focar nas rodadas mais próximas, prestando menos atenção nas rodadas futuras. Este resultado é intuitivo, pois, dado que nossa razão é limitada, quanto mais problemas urgentes tivermos para lidar, mais difícil será dedicar-se a problemas não-urgentes mas extremamente importantes. Não só esses resultados podem sinalizar um possível (e muitas vezes negligenciado) efeito imediato da pobreza, como também dão (mais) uma explicação geral sobre muitas decisões que tomamos contra nosso próprio bem-estar no longo-prazo.

Experimentos na Economia


Bastante interessante a entrevista com John List, em que ele defende um maior uso de experimentos na Economia.

Um dos experimentos que ele menciona é sobre a aversão à perda. Alunos que recebiam 20 dólares no início das aulas e tinham de tirar notas boas para mantê-los, na média, acabavam indo melhor na disciplina do que aqueles alunos a quem eram prometidos 20 dólares ao final do curso caso tirassem boas notas. A interpretação do resultado é a de que as pessoas tem mais medo de “perder” algo que já têm do que “perder” algo que ainda vão ganhar.

Gostaria de ver isso replicado aqui no Brasil, mas com a seguinte questão: será que turmas em que os alunos começam o semestre com a nota 10, e vão perdendo pontos caso falhem nas atividades propostas, irão realmente superar em grande montante o rendimento de alunos que comecem com a nota zero, e vão acumulando pontos caso completem com sucesso os exercícios de aula?

Acredito haver muito espaço para economia experimental no Brasil. Nos últimos 4 anos da RBE (2008-2011), apenas um artigo tratou do tema.

(via Mankiw)