Economic Logic criticando ironicamente um artigo de econofísica. E, também, argumentando que a Economia não inveja a Física, como muitos acreditam.
Autor: Carlos Cinelli
Memes para economistas
Sim, alguém perdeu tempo procrastinou criando isso.
Meu favorito Alguns favoritos:
Via Marginal Revolution.
Entrevistas com Economistas: a década de 70 está de volta – II
Econometria (na sua maior parte) inofensiva
A controvérsia PUC-RJ vs Reinaldo Azevedo acabou por trazer à tona os nomes de Angrist e Pischke, que têm ganhado bastante destaque recentemente. Ambos são autores de um livro que tem recebido atenção dos praticantes, Mostly Harmless Econometrics: An Empiricist’s Companion. O livro basicamente trata do uso da regressão linear em contextos de experimentos naturais ou mudanças de políticas públicas (“quase experimentais”), discorrendo sobre o uso de variáveis instrumentais e differences-in-differences. Eles também tratam de dois temas bastante recentes que são a quantile regression e regression discontinuity design.
Tal qual os livros Poor Economics e Why Nations Fail, os autores mantêm um site e blog homônimo ao livro.
PS: percebi que provavelmente serão mencionados diversos livros no blog, então agora há uma nova categoria “livros” que facilita a busca.
PS2: como todos os livros citados acima, este também possui uma versão em Kindle na Amazon. Esta é a versão que eu tenho, bastante prática mas formatação péssima.
Entrevistas com Economistas: a década de 70 está de volta?
Adolfo Sachsida entrevista:
– Roberto Ellery;
– Alexandre Schwartsman;
– Mansueto Almeida;
– Leonardo Monastério.
As perguntas são as mesmas para todos, referentes a um possível retorno às políticas dos anos 70 que resultaram, posteriormente, na “década perdida” dos anos 80. Eu recomendaria ao Adolfo entrevistar também o Bernardo Mueller, se já não estiver em seus planos.
Guido Mantega sobre o Plano Real em 1994
Mailson da Nóbrega aponta para este artigo do Guido Mantega escrito para a Folha em 1994. Surreal.
Confusão eterna! A “descoberta” do Bóson de Higgs
Como havíamos falado em post anterior, quase todo mundo confunde o significado dos p-valores ou intervalos de confiança. E não é que lendo a matéria da FAPESP sobre o bóson de Higgs, uma notícia de uma agência de financiamento oficial, vemos a mesma confusão!
Na física das partículas, 5 Sigma indica 99,9% de probabilidade de o resultado da medida estar correto e de que há uma chance em 1,75 milhão de se tratar de um desvio estatístico.
A interpretação correta aqui é de que, caso o resultado fosse derivado de um “desvio estatístico”, isto é, caso o resultado fosse derivado apenas por sorte, as chances de se obter uma observação tão extrema ou mais extrema do que a observada pelos cientistas seria de uma em 1,75 milhão. Isso não é a mesma coisa de dizer que “há uma chance em 1,75 milhão de se tratar de um desvio estatístico”.
Aplicativos para economistas
Vi no blog do Renato Colistete uma lista de aplicativos de fontes de dados para iPhone e iPad que não sabia estarem disponíveis e merecem ser compartilhados.
Além desses, ressalto que, para mim, o dropbox juntamente com um bom leitor/editor de pdf, como o Pdf Expert (que eu uso) ou Good Reader (que muita gente usa), se mostraram as ferramentas mais práticas que experimentei para ler artigos – não tenho ideia de quantas árvores já poupei com isso.
Outro lance legal, mas que ainda não tive tempo de experimentar, é o Prezi, que se propõe sair da mesmisse das apresentações de Power-Point e também tem versão disponível para apresentar pelo iPad.
Dez coisas que você gostaria de saber antes de começar a dissertação
Espionando os dados
Acredito que o livro do Wooldridge seja um dos mais utilizados no ensino da econometria na graduação (e, não duvido nada, infelizmente em alguns cursos de pós). É um bom livro, tem vários exemplos com dados disponíveis em softwares econométricos de fácil acesso, como o Gretl.
Mas, existe uma pegadinha fundamental – somente no último capítulo, Wooldridge informa explicitamente ao aluno que tudo aquilo que ele aprendeu não funciona se ele “espionar” os dados . Em suas palavras:
Virtualmente todos os pesquisadores examinam vários modelos antes de encontrar o “melhor” deles. Infelizmente, a prática da exploração da base de dados viola as hipóteses que fizemos em nossa análise econométrica. Os resultados sobre a inexistência de viés do MQO e de outros estimadores, como também sobre as distribuições t e F que derivamos para os testes de hipóteses, pressupõem que observamos uma amostra que segue o modelo populacional e que o tenhamos estimado uma vez.
Se, antes de realizar um teste, você rodou vários modelos diferentes até encontrar o “melhor” deles – seja qual for sua concepção de melhor, como um sinal correto, ou uma significância estatística na variável de interesse – as distribuições das estatísticas de teste não são as distribuições que você aprendeu. Isto é, os p-valores e demais estatísticas não são o que você acha que está calculando e as probabilidades de erro são diferentes dos valores nominais.
Por quê?
Provavelmente a forma mais fácil de se explicar isso seja a seguinte imagem:
Qualquer um que seja péssimo em tiro ao alvo pode “melhorar” seu resultado. Basta permitir que se atire antes e em seguida o alvo seja desenhado da maneira que lhe parecer mais favorável. Perceba que a “evidência” resultante concordará com a hipótese que você quer provar. Entretanto, ela não é nem um pouco severa, pois, mesmo se você não fosse um bom atirador, você poderia ter obtido o mesmo resultado. Sendo incapaz de discriminar entre um caso e outro, na verdade este “teste” – em sua forma bruta – não poderia se considerado evidência genuína de sua habilidade.
Na analogia, os tiros são os “dados” e o desenho o “modelo” ou “hipótese”. Se você fizer seu modelo, ou formular sua hipótese, utilizando as peculiaridades dos dados – e não levar em conta este fato na sua inferência – você pode estar simplesmente desenhando um alvo ao redor dos tiros. Veja, o problema não é a busca por especificação, é realizá-la e fazer de conta que não fez. Leamer chama quem faz tal uso, e acredita ou finge acreditar nos resultados, de “believers”:
Believers report the summary statistics from the nth equation as if the other n-1 were not tried, as if the nth equation defined a controlled experiment.
Infelizmente, esta prática é disseminada na literatura, muito por conta de uma cultura que busca resultados “estatisticamente significantes”. Um working paper recente (dica do Leo) sugere que pesquisadores buscam especificações que “inflem” suas estatísticas de teste.
Já que a exploração de dados é parte inevitável da prática econômica, parece ser interessante começar a exigir a formalização disto nos trabalhos aplicados. Vou tentar trazer referências que tratem do assunto aqui. Por agora, para não me alongar muito, cito uma das mais “clássicas” – de que estou gostando – mas com uma abordagem bayesiana, linguagem ainda não muito comum entre economistas: o livro de Leamer de 1978, que encontra-se integralmente disponível em pdf em seu site: Specification Searches: Ad-Hoc Inference with Nonexperimental Data.



