Erro de medida, Precificação de ativos e Prêmio Nobel


Entrevista com Larry Cahoon, estatístico do Censo norte-americano. Destaco a passagem abaixo, em que ele ressalta a importância de se saber sobre a variabilidade de uma estimativa, algo tão ou mais crítico do que saber a própria estimativa. Isto está em linha com o que discutimos acerca da acurácia das variáveis econômicas, aqui, aqui e aqui.

To do good statistics, knowledge of the subject matter it is being applied to is critical. I also learned early on that issues of variance and bias in any estimate are actually more important than the estimate itself. If I don’t know things like the variability inherent in an estimate and the bias issues in that estimate, then I really don’t know very much.

A favorite saying among the statisticians at the Census Bureau where I worked is that the biases are almost always greater than the sampling error. So my first goal is always to understand the data source, the data quality and what it actually measures.

But, I also still have to make decisions based on the data I have. The real question then becomes given the estimate on hand, what I know about the variance of that estimate, and the biases in that estimate, what decision am I going to make.

Se você não tinha seguido a recomendação de acompanhar o blog do Damodaran, seguem alguns posts interessantes que você perdeu:

– Chill, dude: Debt Default  Drama Queens

When the pieces add-up too much: Micro Dreams and Macro Delusions;

– Twitter announces the IPO: Pricing Games Begins, The Valuation, Why a good trade be a bad investment (or vice-versa).

Sobre o prêmio Nobel, saiu tanta coisa na internet que inclusive descobri muitos detalhes interessantes dos trabalhos dos três ganhadores que sequer imaginava. Deixo aqui, para quem ainda não leu, os materiais do Marginal Revolution e do Cochrane.

Precificação de ativos: blog do Damodaran


Há algum tempo que queria divulgar aqui o blog do Aswath Damodaran, autor bastante conhecido de finanças corporativas e precificação de ativos. O blog não é atualizado constantemente (às vezes, até que isso é bom) e lá ele compartilha avaliações de algumas empresas como, recentemente, a Apple, e – que virão futuramente – Linkedin, Amazon e Netflix. Um ponto bastante positivo do blog são análises e textos bem sinceros e didáticos,  ressaltando as premissas para se chegar ao valor calculado e a incerteza inerente ao processo. Não deixe de adicionar o blog no seu Feedly.

É hora de comprar ouro?


O texto de Jonas Faga Jr, recomendando a compra de ouro como um seguro, tem alguns pontos dos quais discordo e tenho discutido isso com alguns economistas. Para consolidar a discussão em um local só, seguem neste post alguns questionamentos. Jonas sugere que: (i) apesar de o preço do ouro flutuar no curto prazo, o metal mantém seu poder de compra no longo prazo; (ii) consequentemente, ele é um hedge para a inflação no longo prazo; e, por fim, (iii) o ouro seria um seguro contra catástrofes financeiras.

Os pontos (i) e (ii), a rigor, não me parecem verdade, pelo menos não para o que muita gente consideraria longo prazo. Como ilustração, basta um contra-exemplo: o período de 20 anos, entre 1980 e 1999, em que o preço do ouro, em dólar, despencou em termos reais (considerando a inflação).

Preço médio do Ouro a dólares constantes de 2009

Ouro 1980 1999

No blog Marginal Revolution, Tyler Cowen traz para discussão o trabalho Erb e Harvey que, dentre outras coisas, aponta justamente esta falta de correlação entre inflação e retorno do ouro em, pelo menos, períodos tão longos quanto 20 anos.

O ponto (iii), por sua vez, pode ser verdade, mas não deixa de ser especulação. Como se sabe, o ouro, historicamente, foi utilizado como moeda-mercadoria; e, como moeda, o ouro tem um menor risco de contra-parte, intrínseco a moedas fiduciárias. Deste modo, por exemplo, em um caso de catástrofe generalizada, seguida de falências de bancos e drástica perda de credibilidade das moedas fiduciárias, poderia ser que o ouro voltasse a exercer esta função em escala global. A demanda por ouro cresceria em magnitudes sem precedentes e, consequentemente, os ganhos da aplicação em ouro poderiam compensar, em alguma medida, as perdas dos outros ativos. Mas crises podem ocorrer de diversas formas. É possível imaginar diversos cenários em que o preço do ouro cairia mesmo em meio a uma crise financeira, como, por exemplo, em uma situação com a estagnação de grandes países emergentes (como a China) ou países em situação de crise fiscal, juntamente com a venda de ouro por parte desses bancos centrais.

Tendo isto em vista, você deve ou não comprar ouro como um seguro de longo prazo? A resposta depende de quais cenários futuros são mais plausíveis. E qual cenário, dentre todos, é mais plausível? Não sei. Mas é preciso estar claro que o ouro não é especial e tampouco é um seguro no sentido usual do termo. Você pode tanto ganhar quanto perder muito dinheiro, mesmo no longo prazo. Veja, não estou dizendo que seja uma má ideia comprar ouro agora, ou que diversificar seu portfólio seja ruim. Apenas enfatizo que, para você saber se deve ou não comprar ouro, seja com o horizonte de curto prazo, como 1 ano, ou mesmo com o horizonte de longo prazo, como 20 anos, você ainda tem de prever a evolução da oferta e da demanda pelo metal, da mesma forma que você faria para qualquer outro ativo.

PS: além do Marginal Revolution, a recente queda do preço do ouro tem tido repercussão em outros blogs como no EconBrowser e no Economist’s View.