Richard Feynman e cheiro de livro


Para quem tem algo muito importante para fazer agora, mas quer procrastinar, seguem duas leituras:

Moral Hazard voltou, e compartilhou um excelente e provocante comentário de Richard Feynman sobre a educação brasileira (PDF direto aqui). Penso eu que ainda há muito disso, infelizmente.

Há pouco tempo havia recomendado a compra de um e-reader, com a ressalva de que não há o cheiro do livro. Não tem jeito, para aqueles viciados em cheirar livros, o e-reader simplesmente não funciona: “[…] and now, as an adult, I love nothing more than curling up with a good book, closing my eyes, breathing in through my nostrils, keeping my eyes closed and not reading yet continuing to draw in oxygen for hours, and, thanks to my fetishized olfactory associations for printed and bound matter, becoming sexually aroused […] One of the most erotic experiences of my life remains book-sniffing, in a Bangkok hotel room, by myself, the Dutch translation of Crime and Punishment while rolling around on a bed of loose pages from Gravity’s Rainbow.”

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3 pensamentos sobre “Richard Feynman e cheiro de livro

  1. Carlos, infelizmente tenho que concordar com você. Romper com esta prática em nosso sistema educacional não é tarefa fácil!

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  2. Um dos motivos de eu acompanhar esse blog está no fato de encontrar alguns “fellings” no que se refere a estatística, probabilidade e econometria. Estou fazendo mestrado em economia numa grande universidade e “estudando” muita estatística e matemática. Mas, a todo momento tenho a sensação de ser um dos alunos descritos por Feymann que apenas decoram sem saber o que de fato significa. Por exemplo, se vc me pedir para falar a fdp da distribuição gama eu vou saber, mas se vc me pedir para dar um exemplo de um evento que pode ser modelado por meio de tal distribuição não vou conseguir. Incrível!
    Certa vez conversei com um membro do alto escalão do MEC, e ele disse que um dos problemas do Brasil ter resultados ruins nas provas que comparam a educação entre países estava no fato de a prova tratar de exemplos reais, onde a partir daqueles exemplos você deveria aplicar os seus conhecimentos. Ele justificava o desempenho pela metodologia da prova e não questionava o fato dos alunos não terem idéia de como usar o que haviam aprendido em exemplos concretos.
    Enfim, deixo meu desabafo e vou estudar estatística pois amanhã tenho prova e tenho que decorar o teorema de Slutsky…rs

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    • Bacana seu desabafo, Léo! Infelizmente essa visão de ensino ainda é muito disseminada.

      Acho que cabe fazer a ressalva de que não é somente em disciplinas com alto grau de formalização, como física, estatística, probabilidade. Isso também ocorre em história, português, sociologia, literatura! Você pergunta para um aluno quais são as características do Romantismo no Brasil e ele sabe de cor. Agora, quando é para identificar essas mesmas características fora do contexto escolar, a coisa pega.

      O jeito, infelizmente, ainda é correr atrás por si só e, neste meio tempo, ainda ter que “aprender” o teorema de Slutsky para a prova!

      Abraços!

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