Aumentar a taxa de juros pode depreciar o Real?


Segundo Carlos Eduardo Gonçalves e Bernardo Guimarães, sim e isso pode (poderia) estar ocorrendo no Brasil.

Os autores trazem à tona a literatura que mostra como a paridade descoberta da taxa de juros (UIP) pode ficar invertida. A razão para tanto seria basicamente que, em algumas situações, o maior risco de default associado ao aumento dos juros superaria o maior retorno nominal.

Gonçalves e Guimarães também tentam buscar evidências dessa relação invertida no Brasil. Estimam que um aumento de 1 ponto percentual (100 pontos bases – note que não é a variação de 1%) na taxa de juros implicaria em uma depreciação de aproximadamente zero a 2% na taxa de câmbio.

Como sabemos, um dos canais da política monetária é seu efeito na taxa de câmbio por meio do pass-through. Em geral, supõe-se que este canal atue no sentido correto, isto é, aumento de juros implicaria em apreciação cambial e arrefecimento da inflação. O resultado dos autores é contra-intuitivo. Uma lição interessante deste exercício é que, em alguns casos, um aparente “sinal errado” que você obtém em uma estimativa pode não estar errado – então pense bem antes de fazer lambanças mudanças na especificação de um modelo até conseguir o sinal “correto”! É melhor estar aproximadamente certo, mesmo que com um resultado estranho, do que exatamente errado mas com os resultados que você queria.

Mas qual a importância deste resultado a não ser por uma curiosidade teórica? Note que, se o canal do câmbio tiver efeito contrário, isso poderia ter sérias implicações na política monetária. Afinal, o efeito do aumento da taxa de juros por este canal estaria atuando em direção contrária à desejada. Mas por que coloquei poderia? Porque a magnitude aqui faz toda a diferença.

Exponho, então, algo de que senti falta (além de uma discussão mais detalhada sobre a validade dos pressupostos da estratégia econométrica) no artigo (obviamente que isso não quer dizer que o artigo esteja ruim): um julgamento quantitativo da estimativa. Quão relevante seria um impacto de aproximadamente zero a 2%? No artigo, por exemplo, não temos as estatísticas descritivas do período (2000 a 2006), é difícil julgar se essa variação é grande ou pequena na amostra, frente à variação de 1 ponto percentual na taxa de juros. Nessa época o câmbio chegou a oscilar entre 1 e tantos a 3 reais. Uma mudança de R$0,02 ou R$0,06 na taxa de câmbio seria economicamente relevante para fins de política monetária?

Apenas a título de ilustração, segundo uma estimativa de Nogueira Junior, em um ambiente de inflação baixa e estável uma depreciação cambial de 10% poderia resultar em aumento de inflação de apenas 0,8%. Neste caso, se as magnitudes forem comparáveis*, o efeito estimado de Gonçalves e Guimarães me pareceria, na prática, zero, negligenciável. Mas será que é? Não sei. Mas note que, se é possível demonstrar, de maneira plausível, que a UIP invertida é uma possibilidade, então, como possibilidade, a teoria bastaria. Já como realidade, a existência por si só não basta. Entender o tamanho de seu efeito parece muito mais importante.

Em resumo, o leitor, apenas com os dados apresentados, não consegue identificar a relevância (ou irrelevância) econômica da inversão da UIP… o que se consegue é conjecturar sobre a possibilidade teórica de sua existência, sem uma noção mais robusta de seu impacto.

* por exemplo, as medidas de câmbio são diferentes. Há outras questões, a idéia é apenas ilustrar o ponto.

PS: o Carlos Eduardo tem um Blog bacana com Fábio Kanczuk e Celso Toledo.

O melhor artigo nunca escrito


Mankiw dá a dica de mais um artigo para a lista de Gag Papers. Impossível não deixar de ler.

Entrevistas com Economistas: a década de 70 está de volta III


Adolfo Sachsida entrevista mais nove economistas:

Samuel Pessoa;

Mário Mendonça;

Luciano Nakabashi;

Pedro Albuquerque;

Rodrigo Constantino;

Ubiratan Iorio;

Cláudio Shikida;

José Oreiro; e,

O próprio Adolfo.

 

A inflação na Argentina


Alexandre Schwartsman discute o “milagre” argentino mostrando que, ou os hermanos estão na vanguarda da eficiência energética, ou há algo estranho nas contas nacionais argentinas. Apesar de não existir dúvida sobre qual a alternativa mais provável, sempre é bom coletar mais evidências. Hoje me alertaram sobre o artigo de Cavallo, do primeiro trimestre deste ano, Online and Official Price Indexes: Measuring Argentina’s Inflation. O autor constrói índices de preços on-line com base nos sites de grandes supermercados da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Venezuela. Resultado: nos quatro últimos países o índice on-line se comporta de maneira semelhante ao índice oficial. Na Argentina, nos pouco mais de três anos da amostra, o índice on-line cresceu 100%, mas o oficial “apenas” 35%.

PS: a ideia do índice é simples e poderosa. Temei IBGE.

A Economia inveja a Física?


Economic Logic criticando ironicamente um artigo de econofísica. E, também, argumentando que a Economia não inveja a Física, como muitos acreditam.

Memes para economistas


Sim, alguém perdeu tempo procrastinou criando isso.

Meu favorito Alguns favoritos:

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Via Marginal Revolution.

Entrevistas com Economistas: a década de 70 está de volta – II


Adolfo Sachsida dá prosseguimento às entrevistas, agora com:

Rogério Boueri Miranda;

Marco Bittencourt;

Gustavo Franco;

Irineu de Carvalho Filho; e,

Cristiano M. Costa.

Entrevistas com Economistas: a década de 70 está de volta?


Adolfo Sachsida entrevista:

Roberto Ellery;
Alexandre Schwartsman;
Mansueto Almeida;
Leonardo Monastério.

As perguntas são as mesmas para todos, referentes a um possível retorno às políticas dos anos 70 que resultaram, posteriormente, na “década perdida” dos anos 80. Eu recomendaria ao Adolfo entrevistar também o Bernardo Mueller, se já não estiver em seus planos.

Aplicativos para economistas


Vi no blog do Renato Colistete uma lista de aplicativos de fontes de dados para iPhone e iPad que não sabia estarem disponíveis e merecem ser compartilhados.

Além desses, ressalto que, para mim, o dropbox juntamente com um bom leitor/editor de pdf, como o Pdf Expert (que eu uso) ou Good Reader (que muita gente usa), se mostraram as ferramentas mais práticas que experimentei para ler artigos –  não tenho ideia de quantas árvores já poupei com isso.

Outro lance legal, mas que ainda não tive tempo de experimentar, é o Prezi, que se propõe sair da mesmisse das apresentações de Power-Point e também tem versão disponível para apresentar pelo iPad.

Gag Papers. Ou: paraquedas placebo, relação entre PIB e pênis, Bon Scott versus Brian Johnson…


Leo Monastério trouxe um dos mais engraçados que eu já li: um review dos randomized controlled trials para verificar a eficácia de paraquedas na prevenção de traumas decorrentes de desafio gravitacional.

Legal a conclusão:

We think that everyone might benefit if the most radical protagonists of evidence based medicine organised and participated in a double blind, randomised, placebo controlled, crossover trial of the parachute.

Seguindo a linha, tentei relembrar dos melhores gag papers de economia:

Tem o clássico American Economic Growth and the Voyage of Columbus.

Mais moderno, o Calibrating the world and the world of calibration.

Um que resolveu a antiga controvérsia Bon Scott versus Brian Johnson.

Entre os nacionais, não temos um artigo, mas um importante manifesto: vale lembrar do clássico Manifesto da Econometria Política.

Por fim, lembro de mais dois que causaram polêmica na blogosfera, inclusive porque não se descobriu se realmente eram gag papers:

Tatu Josef Westling trata do tamanho do pênis e crescimento dos países, com um sugestivo modelo de Solow Aumentado.

E Voxi Heinrich S Amavilah discorre sobre bandeiras, suas cores, e seus respectivos impactos no bem-estar dos países.

Updates

Mais um para a lista, o melhor artigo nunca escrito.