Impactos de Contágio do Setor Real no Sistema Financeiro


O novo Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do Banco Central do Brasil foi publicado ontem. Dentre várias informações interessantes, neste relatório foi publicado um boxe que discute a mensuração de impactos de contágio do setor real da economia no sistema financeiro.

Resumidamente, a partir de uma rede de conexões do setor real, o BCB simula um processo de contágio e verifica os possíveis afetados bem como seus empregados. Com esses dados em mão, o BCB mapeia as exposições do SFN a essas empresas e funcionários e, em seguida, simula um segundo processo de contágio no setor financeiro.

A rede do setor real (representada abaixo) foi montada a partir dos dados de TED entre as empresas. Na figura abaixo, “cada esfera representa um grupo econômico. O tamanho delas é proporcional à sua participação no fluxo de transferências do SPB. As cores das arestas refletem a importância do fluxo de TED para a empresa recebedora – quanto mais vermelho, maior a importância e maiores as chances de contágio. Nem todos os grupos estão representados.” (BCB, 2015)

setor real

Já a rede do setor financeiro é montada a partir das exposições que os conglomerados financeiros possuem entre si. Na figura abaixo, “as esferas azuis referem-se aos Bancos Múltiplos e Comerciais, as verdes, aos Bancos de Desenvolvimento, as vermelhas, aos Bancos de Investimento, as laranjas, às Cooperativas de Crédito e Financeiras, e as amarelas, às Corretoras e empresas de leasing.” (BCB, 2015)

rede sfnVale a pena tirar um tempo e conferir o REF!

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Visualizações dinâmicas dos investimentos estrangeiros no Brasil!


Os resultados do Censo de Capitais Estrangeiros no País, para o ano-base 2012, acabaram de ser divulgados no site do Banco Central do Brasil.

E, desta vez, o Censo trouxe duas novidades de visualização que merecem destaque:

Mapa do IED participação no capital, feito em D3.js:

Visualizar mapa

Treemap do IED participação no capital, com separações por país ou por setor, feito em D3plus.js:

Visualizar distribuição

Nas duas visualizações, vale a pena brincar com a distribuição do IED pelos critérios de país do investidor imediato e país do investidor final. Note que nem todas as combinações de país e setor são possíveis, pois esta abertura dos dados pode não estar disponível. O arquivo em formato xls pode ser baixado aqui.

Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil – 2010 e 2011


O Banco Central do Brasil divulgou, hoje, os resultados do Censo de Capitais Estrangeiros no País para os anos de 2010 e 2011. O estoque total de IED estimado para 2010 é de US$670 bilhões e, para 2011, esse valor alcançou a cifra de US$688,6 bilhões.

O Censo agora conta com nova metodologia que permite estimar o estoque integral de IED, segundo os padrões internacionais definidos na sexta edição do Manual de Balanço de Pagamentos e Posição Internacional de Investimentos (conhecido como BPM6) do FMI, e na quarta edição das Definições de Referência de IED (conhecido como BD4). Entre as novidades da pesquisa encontram-se: (i) a mensuração do IED empréstimo intercompanhia; (ii) a valoração por valor de mercado do IED participação no capital; e, (iii) a separação entre país do investidor imediado e país do investidor final. Então é preciso cautela ao comparar os dados desses dois anos com os dados dos anos anteriores.

Quanto ao primeiro ponto, o IED empréstimo intercompanhia totalizou US$82,8 bilhões em 2010 e US$99,4 bilhões em 2011 valores, portanto, substanciais. Já a mensuração por valor de mercado, apesar de ter sido realizada para apenas 11% dos declarantes, respondeu por um aumento no estoque de IED participação no capital de US$121,2 bilhões, em 2010, e de US$89,9 bilhões, em 2011, em comparação ao valor por patrimônio líquido. Por fim, a diferenciação entre país do investidor imediato e país do investidor final permite reduzir a distorção das estatísticas causadas por paraísos fiscais. Por exemplo em 2010, pelo critério de investidor imediato, a Holanda tem estoque de US$163,3 bilhões de IED participação no capital, enquanto que, pelo critério de investidor final, este número cai para US$14,9 bilhões.

Vale ressaltar aqui outra novidade: o Censo, que antes era quinquenal, passou a ter uma edição anual, direcionada a declarantes de grande porte. Deste modo, enquanto, em 2010, a pesquisa contou com 16.844 declarantes, em 2011, a pesquisa foi realizada com 3.176, cerca de 19% do número anterior, mas representando estoque declarado de IED participação no capital de US$523,3 bilhões (89% do valor total). Os 11% restantes foram foram estimados com base na última declaração dos demais declarantes, acrescidos os fluxos do balanço de pagamentos e dados do registro de capital estrangeiro (RDE-IED).

Para aqueles que se interessam por dados de investimento estrangeiro no Brasil, confira a nota aqui e os dados em excel aqui.