O “núcleo” da inflação no Brasil.


Silva Filho e Figueiredo fazem uma análise das medidas de core da inflação brasileira. Resultados preliminares: elas são enviesadas e possuem pouco poder preditivo – em outras palavras, não são boas. Os autores também tentam construir medidas de núcleo melhores do que as utilizadas. Mas, mesmo com performance superior, as novas medidas são tão “próximas” da medida tradicional do IPCA que acabam sendo argumento para os céticos: isto é, de que o próprio IPCA é seu “melhor” núcleo.

PS: o artigo é um dos poucos que analisei que se atentam a algumas questões estatísticas com o devido ceticismo, como algo análogo ao problema batizado por Ed. Leamer (sobre quem já comentamos aqui) de White Washing (este texto é uma ácida e excelente resposta ao famoso artigo de Angrist e Pischke sobre a revolução de credibilidade nos trabalhos empíricos). Vou tentar falar disto no próximo post.

Títulos melhores para livros


Acabei de ver o blog Better Book Titles e tinha de compartilhar.

Alguns destaques:

– Richard Dawkins cites his other writing (Richard Dawkins: The God Delusion)

– Teen sex is ok if one of them has cancer (Nicholas Sparks: A Walk to Remember)

– Rent was too damn high (Dostoievski: Crime and Punishment)

– Children should be traumatized (Grimm’s Fairy Tales)

– I read the first page and gave up (James Joyce: Finnegan’s Wake)

Update: Não deixe de conferir o top 10 do autor.

PS: procrastinadores deveriam ficar longe deste blog!

Dica da McCloskey.

A Economia de Jogos Vorazes


Meu amigo Paulo me chamou a atenção ao artigo de Matthew Yglesias na Slate sobre a economia de Jogos Vorazes.  O artigo é legal, consegue juntar os conceitos de resíduo de solow e as ideias de A&R para tentar dar algum sentido à história do filme (que, definitivamente, não faz jus ao sucesso que vem obtendo).

 

2.991 co-autores***.


Você já viu um artigo com tantos co-autores? 

Via Ciência Brasil (apud Moral Hazard).

PS: não julgo o fato nem como bom, nem como ruim. Não estava nos bastidores da pesquisa para julgar.

*** são 2.991 se a função “texto para colunas” do excel tiver separado corretamente. Obviamente que não conferi, deixo para o cético o exercício de checagem.

A fórmula que matou Wall Street


Artigo interessante sobre a gaussian copula function de David Li.

Vale frisar duas partes do final. Primeiro, sobre os gerentes que utilizavam a fórmula:

Their managers, who made the actual calls, lacked the math skills to understand what the models were doing or how they worked. They could, however, understand something as simple as a single correlation number. That was the problem.

E, segundo, Li sobre o seu próprio modelo:

The most dangerous part is when people believe everything coming out of it.

Por ser voltado ao público geral, não sei até que ponto o texto é anedótico. Mas, ilustra bem uma verdade: não é para você pegar um modelo e aplicá-lo a toda e qualquer situação. Ainda mais quando se trata de normalidade e constantes no mundo financeiro.

PS: um leitor recomendou o vídeo “Quants – Os alquimistas de Wall Street”, visto no blog do PC.

White faleceu…


foi-se o autor de um dos artigos (ou o artigo) de econometria mais citados de todos os tempos: Halbert L. White.

 

McGuiver colombiano, transplante de rim e seqüências matemáticas


Compartilhando algumas leituras.

Acemoglu e Robinson (doravante A&R neste blogue) sobre o McGuiver colombiano, na cidade de La Danta.

Alvin Roth novamente aplicando a economia em problemas reais (transplante de rim).

Landsburg e o supra-sumo da procrastinação acadêmica produtiva (quer dizer, ainda não sei se bate de frente com Ai se eu te pego em grego clássico).

O caso Bruno Frey


Economic Logic fornece mais notícias (ou melhor, fofocas) sobre o caso Bruno Frey, que já havíamos mencionado aqui.

Posto de gasolina não pode… mas firma de advocacia pode.


Vez ou outra vemos revolta popular ou governamental contra um suposto cartel feito pelos postos de gasolina.

Mas o que eu gostaria mesmo de ver é uma revolta contra isso aqui. A OAB do DF fixa preço mínimo para honorários. Impressiona o artigo quarto:

Art. 4o É lícito ao advogado contratar valor superior ao previsto na Tabela. Cumpre, entretanto, obrigatoriamente, ao advogado, em atendimento ao dever de zelar pela dignidade da profissão, observar os limites mínimos aqui fixados, não contratando honorários a eles inferiores (concorrência desleal), sob pena das sanções legais.

Busquei na internet e vi que o Taufick comentou o caso. E que já existe processo correndo no CADE.

Teoria dos jogos na prática


Há algum tempo tinha lido esta matéria bem legal da “The Economist” e sempre me esquecia de compartilhar, agora vai. Ela menciona várias aplicações de teoria dos jogos. Um dos autores mencionados é o Bueno de Mesquita, que já apresentou uma palestra no TED. Ainda não tive tempo de ler os livros, tampouco os artigos do autor, mas já ouvi boas referências sobre a “Selectorate Theory” e críticas bastante incisivas ao “The Predictioneer’s game“. O pé atrás com relação ao Bueno de Mesquita surge no próprio vídeo do TED: 90% de acurácia é simplesmente bom demais para ser verdade. Mas ele não deixa de ser polêmico e incitar a curiosidade sobre os trabalhos que presta em sua consultoria privada. Se tem gente pagando por suas previsões, não é provável que todos sejam otários e que elas não sejam de alguma valia (mas, lógico, improvável não quer dizer impossível).

Também gostaria de compartilhar o site e o blog do Alvin Roth. O autor faz um uso bem interessante da teoria dos jogos para o programa de matching dos residentes de medicina nos EUA (no Brasil, lembro do artigo da Marilda Sotomayor sobre matching na pós-graduação em economia). Ele também trabalha com matching para doações de órgãos quando o mercado, por algum motivo, não é permitido, entre outras aplicações. Aproveito igualmente para compartilhar um link de uma matéria, um pouco antiga, mas bacana que havia lido sobre o Alvin Roth no Boston Globe. Para quem buscava exemplos de aplicações para teoria dos jogos, os links acima têm material para muitos dias de diversão.