Monopólio da pobreza


Aqui no Brasil, todo mundo quer usar as leis e o governo para retirar recursos da sociedade em seu favor. Se não para transferência de renda de maneira direta, ao menos para conseguir monopólios.

Os jornalistas, por exemplo, em detrimento da liberdade de expressão, querem reaver o monopólio da notícia, chegando ao ponto esdrúxulo de fazer lobby para uma emenda constitucional. Sobre este tema – que merecia post em separado, mas fica para algum dia – deixo aqui o texto  de Lúcia Guimarães e também texto antigo do Alexandre Barros, que não é sobre o jornalismo, é mais geral, mas cabe bem ao assunto.

Mas os advogados, de quem já falamos aqui (sobre controle de preços), porquanto íntimos do sistema e seus meandros, acabam sendo os piores. Sempre.

Vale à pena ler este artigo de denúncia à OAB, que proíbe o exercício da profissão de forma voluntária. Caso o pobre necessite do serviço, o advogado não pode se oferecer para prestá-lo gratuitamente, para que isso não atrapalhe as intenções da OAB de receber dinheiro público pelo ofício – um verdadeiro monopólio da pobreza.

O fim da Coca-Cola na Bolívia


Com receio de ser mal entendido, o chanceler boliviano explicou que não queria expulsar a Coca-Cola do país, mas apenas que…

… citou o calendário maia para explicar o “fim da Coca-Cola”. O fato estaria “em sintonia com o fim do calendário maia e fará parte das celebrações do fim do capitalismo e do início da cultura da vida”.

Ah, sim.

Guido Mantega sobre o Plano Real em 1994


Mailson da Nóbrega aponta para este artigo do Guido Mantega escrito para a Folha em 1994. Surreal.

O meio ambiente, os caminhões e férias coletivas – Sobre intenções e resultados III


Já havíamos visto aqui que uma lei de responsabilidade por acidente de trânsito, com a melhor das intenções, pode ter consequencias indesejáveis; também que a reforma agrária, com pretensões bastante justas, aumenta a violência e o desmatamento. Vimos até que deixar de receber royalties de petróleo, algo que parece ruim, pode ter consequencias muito boas para um estado.

Veja agora esta reportagem (ou aqui). Nova norma de emissão de poluentes obriga as fábricas de caminhões a adotarem o motor Euro 5, que deixa o veículo cerca de 10 a 15% mais caro. Sabendo disso, as pessoas anteciparam as compras no ano passado e agora o mercado está com demanda muito aquém da capacidade. As fábricas estão negociando com sindicatos férias coletivas – entre outros mecanismos – para não haver uma série de demissões.

Tu não deves cometer falácias lógicas


Site interessante, com ilustrações simples de 24 falácias lógicas.

Posto de gasolina não pode… mas firma de advocacia pode.


Vez ou outra vemos revolta popular ou governamental contra um suposto cartel feito pelos postos de gasolina.

Mas o que eu gostaria mesmo de ver é uma revolta contra isso aqui. A OAB do DF fixa preço mínimo para honorários. Impressiona o artigo quarto:

Art. 4o É lícito ao advogado contratar valor superior ao previsto na Tabela. Cumpre, entretanto, obrigatoriamente, ao advogado, em atendimento ao dever de zelar pela dignidade da profissão, observar os limites mínimos aqui fixados, não contratando honorários a eles inferiores (concorrência desleal), sob pena das sanções legais.

Busquei na internet e vi que o Taufick comentou o caso. E que já existe processo correndo no CADE.

A lei da oferta e demanda é uma mentira


A despeito de tudo, a história se repete.

Desta vez na Venezuela.

Hugo Chávez quer controle de preços para tentar conter a inflação e vê as prateleiras dos supermercados ficarem vazias. Karlin Granadillo, o controlador de preços do governo, ainda tenta argumentar brilhantemente: “A lei da oferta e demanda é uma mentira!”.

Via: A mão visível.

O que faz um bom médico.


Prova do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Essencial para um exímio profissional da saúde.

82 – A respeito das influências do neoliberalismo sobre a Saúde, considere as seguintes afirmativas:

1 – Têm gerado um processo de competição ilimitada, que promove uma espécie de guerra de todos contra todos à custa da saúde dos trabalhadores.

2. Constituem um modelo de competição que é cego para suas consequências sociais, ao promover competição ilimitada, a aceitação da injustiça, da violência e do sofrimento no trabalho.

3. Impondo como premissa das reformas que preconiza a redução dos gastos públicos, conduz os governos a economizar à custa do sofrimento da Nação, deixando de investir em práticas sociais como Educação e Saúde.

4. Preconiza a parceria público-privada, na qual a relação do público com o privado acentua a dívida do Estado com a maioria da população e ao mesmo tempo favorece a esfera privada e a acumulação do capital.

5. As reformas instituídas na formação dos profissionais de saúde procuram adaptá-la às necessidades atuais do capital, tendendo a reduzir os conteúdos e priorizar o alcance de determinadas habilidades e atitudes.

Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.
b) Somente a afirmativa 5 é verdadeira.
c) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
e) As afirmativas 1, 2, 3, 4 e 5 são verdadeiras.

Os juros altos e a ganância dos bancos


 

Mesmo em faculdades de economia, ainda há quem se entregue ao discurso fácil de que juros altos são sempre desejados pelos bancos. Assim, quando o Banco Central aumenta a taxa básica, estaria sendo cúmplice do mercado financeiro; e, por outro lado, quando a autoridade monetária a reduz, estaria sendo ousada, jogando contra os bancos e a favor da sociedade.

Isso não é bem verdade e pretendia tratar do assunto futuramente. Mas acabei de ver o novo post do Alexandre Schwartsman. Este e outro post um pouco mais antigo, que desmistifica a idéia de que o mercado faz “terrorismo inflacionário” para o aumento dos juros, dão conta – e muito bem – do recado.