III ENBECO – Inscrições Abertas!


As inscrições para o III ENBECO já estão abertas e podem ser feitas aqui.

O evento será em Vitória-ES na FUCAPE, conforme informações abaixo:

Data: 12 de Abril de 2013 (Sexta-Feira)
Local: Auditório da FUCAPE (Av. Fernando Ferrari, 1358. Vitória-ES).
Horário: Das 13:00 à 18:30

III-ENBECO

 

Não deixe de se inscrever!

Como organizar dados de corte transversal?


Aparentemente esta pergunta não faria sentido. Afinal, por definição, se o dado é de corte-transversal, a ordem não interferiria na análise. A rigor, não importaria quem é o 1º dado, quem é o 2º dado, e assim por diante.

Todavia, nenhum dado é literalmente – stricto sensu – de corte transversal. Na verdade, o que define se o dado é uma “série temporal” ou “corte-transversal” não é sua natureza intrínseca, mas como ele foi ordenado. Na maioria dos casos, é impossível observar todos os indivíduos no mesmo período de tempo e o que de fato fazemos é julgar que a diferença temporal (ou espacial) entre uma coleta e outra é praticamente irrelevante para análise que queremos fazer. Só que às vezes essa ordem pode revelar informações (ou vieses) interessantes.

Recentemente, trabalhando com dados que seriam de corte transversal, parei para pensar na ordem que estavam dispostos. Eles estavam organizados aleatoriamente pelo sistema. Mas eu poderia recuperar as informações de preenchimento. E se eu organizasse os dados pela ordem de entrega do questionário? Ou pela ordem de início preenchimento? Será que valeria à pena esse esforço e seriam reveladas diferenças de correlação ou heterogeneidade uma vez que esse caráter “temporal” do dado fosse explicitado? Ainda não fiz este exercício e não tenho a resposta.

Mas, ao pensar nisso, lembrei na hora de um exemplo do livro texto do Aris Spanos, que gostaria de compartilhar. Ele utiliza dados de notas de alunos em uma prova, que não sei se são anedóticos ou reais*, mas que ilustram bem o ponto.

Os dados organizados por ordem alfabética tem o seguinte gráfico:

ordem_alfabetica

Pelo gráfico, os dados não parecem apresentar auto-correlação. Estimativas de um AR(1) e AR(2) apresentam coeficientes pequenos com coeficiente de variação grande. Isso juntamente à nossa crença a priori de que a ordem alfabética não deveria interferir nas notas, nos faz concluir que provavelmente não existe dependência nos dados.

Já a organização pela ordem dos assentos resulta no seguinte gráfico:

posicao_sentado

Esta figura, diferentemente da anterior, apresenta dependência nos dados. As notas parecem estar correlacionadas positivamente. O coeficiente de um AR(1) é bastante alto e sugere que notas altas estavam próximas de notas altas e, notas baixas, de notas baixas. A ordem dos dados, neste caso, pode ter revelado algo fundamental: para Spanos, por exemplo, isso é evidência de que houve muita cola durante a prova! Eu já diria que esta conclusão é precipitada. Outro fato que poderia explicar a correlação é o de que alunos com afinidades (e, consequentemente, notas parecidas) podem gostar de sentar juntos.

Mas a lição é clara: dados que tomamos como certo serem de “corte transversal” podem apresentar uma interessante dependência entre si quando observados com mais cuidado.

* o Spanos tem uns exemplos com dados curiosos. Neste post ele utiliza uma variável secreta X, que se sabe não ser correlacionada com a população dos EUA, para prever a população dos EUA. Ele mostra como uma regressão ingênua pode ter resultados espúrios, indicando, erroneamente, que a variável X explica a população. A variável X, supostamente, seria o número de sapatos que a vó de Spanos tinha em cada ano, desde 1955. Surge daí uma pergunta natural, feita por Corey:

“…how is it that Spanos has annual data on the number of pairs of shoes owned by his grandmother going back to 1955?”

Ao que Spanos responde.

“That’s easy! My grandmother would never throw away any shoes and each pair had a different story behind it; the stories I grew up with. Each pair was bought at a specific annual fair and it was dated.”

Como o cara é de Cyprus, sei lá, pode ser que essa resposta seja culturalmente plausível. Mas para um brasileiro é no mínimo estranha; eu prefiro acreditar que os dados sejam inventados do que acreditar que ele resolveu contabilizar o número de sapatos da avó em cada ano. Com relação aos dados das notas, uma possível pista de que talvez Spanos tenha inventado os dados é a de que, primeiro, ele diz que as notas são da matéria “Principles of Economics”. Depois, de que são da matéria “Macro-Economic Principles”. Mas, sejam os dados reais, ou fictícios, os exemplos continuam válidos!

III Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia


A bacana iniciativa do Cristiano M. Costa e Cláudio Shikida terá sua terceira edição!

Dessa vez será na FUCAPE, em Vitória – ES, no dia 12 de Abril.

PS: o Análise Real estará presente em um dos painéis.

 

1.000.000 de números aleatórios


Um livro que você não pode deixar de ler – da primeira à última página. História imprevisível, do começo ao fim. Quatro estrelas, com alguns dos melhores reviews já produzidos na Amazon.

Destaque para:

40432 33289 53985 30223 99287 (p. 136)

Via Dave Giles.

Comunidades tribais são mais violentas? O quão próxima é a distribuição normal? O papel do BNDES.


Alguns links aleatórios.

1) Não existe má publicidade 2 (o primeiro foi com relação ao livro do Sandel). Recém publicado livro do Jared Diamond (The World Until Yesterday: What Can We Learn from Traditional Societies?) parece ter provocado a ira (aqui e aqui) de grupos defensores das comunidades tribais. Resultado: comprei a versão para Kindle.

(Via Marginal Revolution)

2) Seguem alguns posts do Larry Wasserman que queria compartilhar há algum tempo, mas havia procrastinado:

Review do livro de Nassim Taleb, Antifragile: Things That Gain from Disorder, apenas lido pela metade (because only sissy fragilistas finish a book before reviewing it);

– Sobre bootstrapping I e II;

– Sobre teoremas de upper-bound para erros de aproximação pela curva normal (vale conferir uma sugestão que surgiu nos comentários do post, um texto histórico, bacana, sobre robustez do Stigler).

3) Sobre o papel do BNDES. Artigo de Maurício Canêdo Pinheiro, no Estadão, bota em xeque a efetividade da instituição. Como suporte, menciona o working paper do Lazzarini (What Do Development Banks Do? Evidence from Brazil, 2002-2009). Lembro-me de terem comentado bastante sobre esse artigo na última Anpec, e tenho de confessar que as conclusões do paper são bastante alinhadas com minhas crenças e intuições a priori. A despeito disso, com base em uma passada de olho, fiquei na dúvida se os dados apresentados corroboram conclusões fortes. Para não falar mais sem ler com o devido cuidado, isso fica para outro dia.

Se você gosta de ler, compre um e-reader.


Para quem já é proprietário de um e-reader, com e-ink (Kindle, Kobo, Nook), este post é dispensável – provavelmente você já acha o seu leitor eletrônico fantástico.

Mas, para o amante da leitura que, como eu, possuía um tablet (seja iPad, Galaxy Tab ou até o Kindle Fire) e acessava seus e-books por meio de aplicativos, peço que preste atenção. E que, ao final do post, se convença de comprar o quanto antes um e-reader.

É bem provável que você já tenha pensado nisso, mas que esteja postergando esta compra; afinal, você já tem acesso à Amazon, ao Google Books e à iBookStore por meio de um aplicativo no seu tablet, celular ou computador. Mais ainda, é bem provável que você ache cansativo ler livros digitais e que você ainda prefira, de longe e sem qualquer discussão, ler os livros impressos.

Eu também pensava assim… até chegar o Kindle 4. É simplesmente fantástico. É igual a um papel. A bateria dura quase um mês. É mais leve do que um livro de bolso; inclusive cabe no bolso da jaqueta, do blazer, e, às vezes, até da bermuda ou da calça. Você pode ler sob a luz do sol na praia, na piscina, no parque da sua cidade…

Para ficção, negócios e história, principalmente de consumo geral, dificilmente você comprará livros impressos novamente. A formatação e o prazer de ler em ambos os suportes são quase iguais, mas com a diferença de que livros impressos se acumulam e ocupam espaço, envelhecem, amarelam, mofam, pesam. Sim, falta o cheiro do livro. Mas o mundo é feito de trade-offs (e, por mais que você acredite que tenha uma preferência lexicográfica com “cheiro de livro” como variável indispensável, sugiro que ainda assim experimente).

Para o economista há uma ressalva com relação a livros técnicos, pois a formatação de equações e gráficos ainda não é a melhor do mundo. Entretanto, acredito ser questão de tempo para que isso se resolva e, mesmo com formatação a desejar, há casos em que a praticidade ainda compensa bastante. Também há restrições com relação a PDF’s de artigos acadêmicos e neste caso ainda não há solução… o mundo não é perfeito.

Resumindo: com o e-reader você vai aumentar o seu consumo de leitura em quantidade e qualidade. Hoje, já é fácil comprar e acessar qualquer livro digital pelo tablet, celular ou computador. Mas não é confortável, por causa do bombardeio de luz das telas de LCD, LED, SuperAmoled, Retina etc. Com o e-reader você vai ler por horas a fio e esquecer do suporte pelo qual ocorre a leitura. Ele some da sua mão, restando apenas o mais importante – o conteúdo. Tal como um livro deve ser.

Disclaimer: este post pode estar sujeito ao deslumbramento natural na aquisição de um produto novo. Para amenizar este viés, aguardei quase um mês para escrevê-lo. De qualquer forma, não me responsabilizo por qualquer decisão de consumo com base na opinião acima.

O mundo está ficando cada vez mais violento?


Casos como o recente atirador de Connecticut, muitas vezes, nos fazem ponderar sobre os rumos da sociedade e sobre o estado atual da violência. Ficamos tentados a achar que caminhamos para um futuro sombrio, nunca antes visto na história. O problema é que esse é um assunto muito emocional, o que torna difícil enxergar o quadro mais geral da história da violência na humanidade.

Isso me fez adiantar uma compra que já estava há algum tempo esperando e que, devido aos acontecimentos recentes, tem sido lembrada na blogosfera: o livro de Steven Pinker, The Better Angels of Our Nature: Why Violence Has Declined. Nesta obra de 832 páginas, Pinker argumenta que não, não estamos ficando mais violentos. Períodos anteriores, inclusive antes da civilização moderna, foram muito piores: genocídios, assassinatos, abuso infantil, etc eram a regra. Na verdade, apesar da impressão que o noticiário pode passar, estaríamos vivenciando uma das fazes mais pacíficas já registradas.

Mais sobre Michael Sandel


Dizem que não há má publicidade. Ontem li a Econgirl e seu diálogo (imaginário) com Michael Sandel. Hoje Mankiw aponta para a devastadora crítica da Deirdre McCloskey. Resultado: tive que comprar o livro de Sandel, What Money Can’t Buy: The Moral Limits of Markets.

O poder da estatística, ou como você é tão previsível 2


No mundo de dados abundantes, como disse Hal Varian, saber tratá-los e interpretá-los (bem) torna-se cada vez mais fundamental, e a (boa) estatística já se torna a profissão sexy da vez.

As aplicações são as mais diversas: desde prever, pelos hábitos de compra, quando sua cliente está grávida e quando o bebê irá nascer; passando, também, por utilizar buscas do Google para fazer “previsões em tempo real”; até prever o resultado de duas eleições presidenciais.

Sobre este último ponto, o livro do Nate Silver ainda estava na minha wish list, esquecido… mas, depois do animado post do Drunkeynesian, venci a procrastinação. Livro comprado – comentários em breve eventualmente!

Econometria (na sua maior parte) inofensiva


A controvérsia PUC-RJ vs Reinaldo Azevedo acabou por trazer à tona os nomes de Angrist e Pischke, que têm ganhado bastante destaque recentemente. Ambos são autores de um livro que tem recebido atenção dos praticantes, Mostly Harmless Econometrics: An Empiricist’s Companion. O livro basicamente trata do uso da regressão linear em contextos de experimentos naturais ou mudanças de políticas públicas (“quase experimentais”), discorrendo sobre o uso de variáveis instrumentais e differences-in-differences. Eles também tratam de dois temas bastante recentes que são a quantile regression e regression discontinuity design.

Tal qual os livros Poor Economics e Why Nations Fail, os autores mantêm um site e blog homônimo ao livro.

PS: percebi que provavelmente serão mencionados diversos livros no blog, então agora há uma nova categoria “livros” que facilita a busca.

PS2: como todos os livros citados acima, este também possui uma versão em Kindle na Amazon. Esta é a versão que eu tenho, bastante prática mas formatação péssima.