Conheça seus dados!


Trabalhando com dados de tempo de ligação (em segundos), o histograma estava assim:

ligacoes

Estranho, não? Parecia existir uma dependência curiosa, por que esses picos e vales?

Por um minuto, vieram hipóteses “interessantes”: como, por exemplo, a de que o ser humano tem uma tendência natural a conversar em intervalos mais ou menos discretos de tempo.

Dois minutos depois, a hipótese realista: os dados devem estar arredondados. E estavam. As ligações são contabilizadas de 6 em 6 segundos.

Para onde caminha a política econômica?


A capa do Valor de ontem pode dar uma dica.

dilma

Richard Feynman e cheiro de livro


Para quem tem algo muito importante para fazer agora, mas quer procrastinar, seguem duas leituras:

Moral Hazard voltou, e compartilhou um excelente e provocante comentário de Richard Feynman sobre a educação brasileira (PDF direto aqui). Penso eu que ainda há muito disso, infelizmente.

Há pouco tempo havia recomendado a compra de um e-reader, com a ressalva de que não há o cheiro do livro. Não tem jeito, para aqueles viciados em cheirar livros, o e-reader simplesmente não funciona: “[…] and now, as an adult, I love nothing more than curling up with a good book, closing my eyes, breathing in through my nostrils, keeping my eyes closed and not reading yet continuing to draw in oxygen for hours, and, thanks to my fetishized olfactory associations for printed and bound matter, becoming sexually aroused […] One of the most erotic experiences of my life remains book-sniffing, in a Bangkok hotel room, by myself, the Dutch translation of Crime and Punishment while rolling around on a bed of loose pages from Gravity’s Rainbow.”

Estatística no Google


Jeff Leek do Simply Statistics trouxe uma entrevista bacana com Nick Chamandy, um estatístico do Google.

Destaque para a parte em que ele diz que, na maioria dos casos, o estatístico que trabalha no Google não é somente responsável por fazer as análises, mas também por coletar e tratar os dados brutos.

In the vast majority of cases, the statistician pulls his or her own data — this is an important part of the Google statistician culture. It is not purely a question of self-sufficiency. There is a strong belief that without becoming intimate with the raw data structure, and the many considerations involved in filtering, cleaning, and aggregating the data, the statistician can never truly hope to have a complete understanding of the data. For massive and complex data, there are sometimes as many subtleties in whittling down to the right data set as there are in choosing or implementing the right analysis procedure

Esta é uma reflexão importante, principalmente para os (macro)economistas, que dependem em grande medida de dados de terceiros e podem acabar não tendo intimidade com a produção dos dados e o grau de acurácia das medidas.

PS.: o Google realmente parece ser a empresa dos sonhos para quem quer conciliar teoria e prática. Além da entrevista acima, veja Hal Varian aplicando teoria dos jogos na prática aqui.

Um economista termina com a namorada


Uma aplicação prática – e hilária – da maximização de utilidade. Tive que traduzir alguns trechos:

Os cálculos são bastante simples. Neste ponto da minha vida, o custo de oportunidade de sair com você é bastante elevado. Sexo com você me concede 17 unidades de prazer, mas eu derivo unidades negativas de prazer com a conchinha que vem logo depois […] eu também perco unidades de prazer quando você faz essa coisa estranha com as mãos que você acha que é algo carinhoso, mas parece que você está me arranhando […] enquanto isso, eu poderia estar fazendo muitas outras coisas em vez de gastar tempo com você. Por exemplo, eu poderia estar bebendo no bar irlandês com um grupo de amigos do trabalho. Eu derivo entre 20 e 28 unidades de prazer dando em cima de mulheres bêbadas e safadas no bar. […] no entanto, a maioria dessas mulheres não ri das minhas piadas, o que impulsiona para baixo as unidades de prazer adquiridas. Assim, eu consigo obter entre 14 e 21 unidades de prazer em uma noite no bar. [….] como todos os seres humanos, sei que sou falível e, já que tenho uma tendência natural para descontar indevidamente o futuro, fiz questão de determinar com precisão o valor presente dos custos e benefícios. Mas, mesmo considerando os retornos marginais decrescentes de dar em cima das mulheres bêbadas e safadas supracitadas, os números simplesmente não querem que fiquemos juntos.

Via Mankiw.

1.000.000 de números aleatórios


Um livro que você não pode deixar de ler – da primeira à última página. História imprevisível, do começo ao fim. Quatro estrelas, com alguns dos melhores reviews já produzidos na Amazon.

Destaque para:

40432 33289 53985 30223 99287 (p. 136)

Via Dave Giles.

Comunidades tribais são mais violentas? O quão próxima é a distribuição normal? O papel do BNDES.


Alguns links aleatórios.

1) Não existe má publicidade 2 (o primeiro foi com relação ao livro do Sandel). Recém publicado livro do Jared Diamond (The World Until Yesterday: What Can We Learn from Traditional Societies?) parece ter provocado a ira (aqui e aqui) de grupos defensores das comunidades tribais. Resultado: comprei a versão para Kindle.

(Via Marginal Revolution)

2) Seguem alguns posts do Larry Wasserman que queria compartilhar há algum tempo, mas havia procrastinado:

Review do livro de Nassim Taleb, Antifragile: Things That Gain from Disorder, apenas lido pela metade (because only sissy fragilistas finish a book before reviewing it);

– Sobre bootstrapping I e II;

– Sobre teoremas de upper-bound para erros de aproximação pela curva normal (vale conferir uma sugestão que surgiu nos comentários do post, um texto histórico, bacana, sobre robustez do Stigler).

3) Sobre o papel do BNDES. Artigo de Maurício Canêdo Pinheiro, no Estadão, bota em xeque a efetividade da instituição. Como suporte, menciona o working paper do Lazzarini (What Do Development Banks Do? Evidence from Brazil, 2002-2009). Lembro-me de terem comentado bastante sobre esse artigo na última Anpec, e tenho de confessar que as conclusões do paper são bastante alinhadas com minhas crenças e intuições a priori. A despeito disso, com base em uma passada de olho, fiquei na dúvida se os dados apresentados corroboram conclusões fortes. Para não falar mais sem ler com o devido cuidado, isso fica para outro dia.

Por que você vai mentir para você mesmo neste fim de ano 2?


Vale à pena resgatar um post do ano passado sobre um dos porquês de você mentir para você mesmo na virada de ano.

Tops do blog de 2012 – II


Os dez outros blogs mais acessados por quem passou por este blog:

Blog do Adolfo (principalmente por conta da série “entrevistas com economistas 1, 2 e 3“);
Economic Logic
Drunkeynesian
A mão visível
Blog do Leo Monastério
Marginal Revolution
Blog do Cristiano M. Costa
Blog do Andrew Gelman
Blog do Mansueto Almeida
Normal Deviate

Tops do blog de 2012 – I


Requentando Relembrando os 10 posts mais acessados do ano:

Os dez mandamentos da Econometria Aplicada

PUC-RJ x Reinaldo Azevedo: sobre causalidade e VI.

Pombos são mais espertos do que humanos?

Culto da significância estatística I: um exemplo do teste de normalidade

Câmbio e Inflação I

A inflação na Argentina

Teoria dos jogos na prática

Teoria dos jogos na prática 2

A evidência prova: você é obeso… mas não é gordo!

Ai se eu te pego em grego clássico